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OPINIÃO
Oitenta e quatro por cento dos consumidores mundiais
afirmam que, antes de fazer compra em uma loja, utilizam o
digital para melhorar sua experiência de compra. Ponto para o
digital. Simultaneamente a esse número, temos um outro: 95%
de todas as vendas do varejo global ainda acontecem numa loja
física. Ponto para os canais tradicionais.
Mais de 1 trilhão de dólares das vendas no varejo são
influenciadas pelo digital. Ponto para o digital. Mas mesmo
assim, uma das empresas mais inovadoras, tecnológicas e com
expertise digital no mundo, a IKEA, abriu mais de 120 lojas
físicas. Ponto para os canais tradicionais.
Esses dados, junto com outras centenas deles, foram
apresentados durante a 104ª National Retail Federation (NRF),
também conhecida como Retail’s Big Show, que aconteceu
em Nova Iorque, entre os dias 10 e 14 de janeiro deste ano. E,
mais uma vez, a discussão girou entre o mundo digital e o real.
Não é segredo para ninguém que, hoje em dia, o consumidor é
tanto digital quanto real. Para o seu cliente não existe essa barreira
que as empresas tentam criar entre um mundo e outro. Ele é
um só e, por isso, deseja que as ações on-line e off-line também
andem juntas. Por mais que as discussões continuem sobre qual
é o melhor canal, a resposta também continua sendo qual é a
melhor experiência que a sua marca pode e quer oferecer para os
seus clientes, independentemente do ponto de contato que ele está
utilizando. Se você oferecer um contato ruim na vida digital, vai
influenciar a imagem da sua marca no mundo real e vice-versa.
Se depender de tudo que a tecnologia oferece e ainda vai
oferecer no futuro, as vendas vão acontecer por osmose,
segundo inúmeros especialistas que ganham dinheiro
profetizando, em vez de vendendo. Eu não tenho dúvida de que
tudo vai mudar cada vez mais rápido, mas nada é mais rápido
no varejo do que o resultado de hoje. Você tem que se preparar
para o amanhã, sim, mas fazendo sucesso neste exato segundo.
Sim, sim, sim... já temos e teremos ainda mais câmeras que
identificam o tempo que a pessoa gasta na loja, identificam
os jeitos, caras e bocas que ela faz quando vê um produto
ou oferta, identificam quem gosta e quem não gosta, como
os expositores não paravam de mostrar na NRF 2015. Mas,
espera aí... Se a cada dia nós estamos sendo mais vigiados, não
podemos nos tornar dissimulados? Qual é o risco de você se
sentir invadido por isso tudo e em vez de se tornar fã de uma
marca passar a odiá-la? Essas são questões que ninguém pode
responder com certeza. Ninguém. E são essas incertezas que
fazem do mundo um lugar tão fascinante e, muitas vezes, de
resultados improváveis.
Por isso que eu não consigo parar de querer aprender todos
os dias. Afinal, um dos maiores filósofos da humanidade não
devia estar tão errado quando disse: “Só sei que nada sei”.
só sei que nada sei
Por HUGO RODRIGUES
2015