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maneiras de fazer o consumidor se sentir mais seguro. Já
nos EUA, os shoppings estão sempre procurando por novos
varejistas que são diferentes e exclusivos. Ter produtos
brasileiros em shoppings dos EUA seria um aspecto muito
positivo para as duas partes, mas para isso acontecer é preciso
que as barreiras do comércio exterior sejam diminuídas,
porque é muito caro trazer produtos brasileiros para os EUA
e vice-versa. No momento, existe a impressão de que os
brasileiros não se importam muito com essas barreiras porque
estão no “topo do mundo” e isso faz com que os outros países
vejam esse fato como uma ofensa. Mas agora que a economia
do Brasil se tornou um pouco menos forte, acredito que
haverá mais afinidade para abrir discussões sobre a questão
do comércio exterior.
O senhor acha que as relações do
comércio exterior também devem
ser melhoradas entre os países da
América Latina? Como se encontra
a relação entre esses países na sua
opinião?
MICHAEL KERCHEVAL:
O Brasil tem sido líder em
muitas áreas e essa posição é merecida, mas eu acho que
isso pode gerar um certo ciúmes em alguns dos países sul-
americanos, o que resulta em menos oportunidades para
diminuir as barreiras impostas nas relações do comércio
exterior entre esses países.
Eu realmente gostaria de ver mais varejistas brasileiros sendo
recebidos na Argentina, no Chile, no Peru e na Colômbia e
vice-versa. Seria muito bom também ver lojas argentinas e
chilenas serem implementadas no Brasil.
A tecnologia e inovação são
serviços fundamentais para a
sobrevivência do varejo na atual
era digital. Qual é a posição do
Brasil no quesito inovação?
MICHAEL KERCHEVAL:
Eu acho que sempre
existem oportunidades para melhoria. A primeira coisa
que a nossa indústria e o Brasil precisam melhorar é o
atendimento ao consumidor. Isso é o que diferencia os
shoppings das compras online, então o ideal é focar nessa
melhoria. Infelizmente, as pessoas mal pagas são as que
lidam com o consumidor. Quanto mais bem pagas, melhor
elas trabalharão e nós precisamos de bons profissionais.
Levando em consideração merchandising, design e
tecnologia, algumas lojas e shoppings do Brasil estão
totalmente sofisticados. O que precisa de melhoria mesmo
é o atendimento ao consumidor. Independente do que tenha
acontecido com a Daslu, o atendimento ao consumidor que
existia lá era o segredo para o sucesso de vendas e deve
servir de exemplo para essa melhoria que é fundamental no
mercado do varejo.
Quais tipos de investimentos podem
otimizar a indústria de shopping
centers no Brasil?
MICHAEL KERCHEVAL:
Acho que a melhor
oportunidade no Brasil, agora, é o investimento do mercado
do varejo em regiões secundárias. Há milhões de pessoas
que não têm acesso ao Walmart, por exemplo, e têm a
necessidade de acesso à estabelecimentos que forneçam
preços populares. Mesmo no caso de lojas e shoppings
implementados nas grandes cidades, os que estão se dando
super bem são os que estão servindo as classes B, C e D. Os
shoppings Center Norte e Aricanduva, por exemplo, estão
vendendo para consumidores de menor poder aquisitivo e
obtendo maiores lucros.
2015