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Elevação do risco externo e efeitos mais visíveis da política monetária

A divulgação do PIB do segundo trimestre confirmou o que os dados mensais já sugeriam: uma desaceleração mais intensa da economia, mesmo em um período em que diversos estímulos estão em vigor.

Os dados do início do terceiro trimestre indicam que essa tendência de moderação continua e são poucos os vetores de crescimento para o próximo ano. Assim, revisamos o PIB de 1,9% para 1,7% neste ano e de 1,3% para 1,0% em 2027.

A inflação está desacelerando após os choques relevantes do começo do ano e deve encerrar 2026 em 4,9%. No começo do ano, choques pontuais em alguns alimentos e nos derivados de petróleo trouxeram pressão relevante para a inflação corrente, que após essa incorporação tem mostrado a dissipação dos choques.

Em 12 meses, o IPCA voltou a ficar levemente abaixo do teto da meta de inflação, mas deve voltar a superá-lo nos próximos meses, quando os efeitos do El Niño e do recrudescimento da guerra voltarem a pressionar o índice.

O câmbio continua oscilando entre R$/US$ 5,00 e R$/US$ 5,20 nas últimas semanas. Em relação aos nossos pares, a moeda mostrou leve fortalecimento desde o começo de agosto, mas segue próxima aos níveis médios do ano.

Por ora, não mudamos nosso cenário de câmbio, mas reconhecemos que o quadro está mais incerto, com juros longos pressionados nos EUA e início de um ciclo de ajuste de juros no Fed, cuja relação histórica sugere fortalecimento do dólar.

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A taxa de desemprego recuou 0,3 ponto percentual em abril, para 5,8% — abaixo da nossa expectativa (6,1%) e do consenso de mercado (6,0%).

Na série dessazonalizada, o indicador ficou em 5,5%, patamar ainda superior ao registrado no final de 2025 (5,3%).

A queda do desemprego não refletiu crescimento da população ocupada, que permaneceu estável em 103 milhões de pessoas (dessazonalizado), mas sim a queda da taxa de participação, que recuou para 62,1% — abaixo da média histórica de 62,3%.

Na abertura por categoria, os ganhos em empregos com carteira assinada e por conta própria mais do que compensaram as perdas no trabalho sem carteira e doméstico. As categorias informais caíram no mês, com a taxa de formalidade aumentando para 62,7% (ante 62,6%).

O rendimento real apresentou leve desaceleração, com alta de 5,4% interanual ante 5,5% no mês anterior. A massa salarial registrou um pequeno aumento no mês, com a população ocupada contribuindo para um menor ganho na margem.

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Ritmo de contratações aumentou em janeiro

  • Em janeiro foram gerados 112 mil novos postos de trabalho formais no Brasil. O resultado ficou um pouco abaixo do registrado nos últimos anos, mas ainda um pouco acima do que era esperado (+84 mil vagas). Na série livre de influência sazonal, o saldo entre admitidos e demitidos subiu de -3 mil em dezembro para 82 mil.
  • Na série dessazonalizada, todos os grandes setores contrataram liquidamente. Os serviços foram o destaque positivo com aumento de 51 mil novos postos de trabalho, após demitir liquidamente 2 mil funcionários em dezembro. A indústria de transformação, que no primeiro semestre de 2025 contratou cerca de 20 mil novos trabalhadores por mês, adicionou 5 mil em janeiro deste ano. O comércio também teve um saldo entre admitidos e demitidos inferior ao observado no começo do ano passado. Por fim, a construção adicionou à folha de pagamentos 19 mil trabalhadores, que é um nível relativamente elevado para o padrão recente da série.
  • Após subir 2% no último trimestre de 2025, o salário de admissão teve uma leve queda (0,4%) em janeiro. Na variação interanual os salários subiram 2,1%, menor do que a taxa de dezembro de 2025 (2,7%).

Nossa avaliação: O resultado do Caged de janeiro, acelerando em relação ao nível do final do ano passado, não altera o fundamento de uma economia crescendo num ritmo mais lento. A média de três meses era 40 mil vagas em dezembro, acelerando para 50 mil em janeiro, nível ainda abaixo do necessário para manter a taxa de desemprego estável. O número é compatível com uma moderação gradual do mercado de trabalho.

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Com ajuda global, cenário doméstico vai se confirmando

O cenário econômico pouco se alterou, apesar das incertezas globais. A economia americana mantém crescimento robusto, sustentado por investimentos em tecnologia e consumo resiliente, enquanto o mercado de trabalho segue se enfraquecendo e a inflação não traz preocupações.

A China segue exportando deflação para o restante dos países e o desempenho da economia europeia continua ancorado em impulsos fiscais. No entanto, os ruídos trazidos por disputas geopolíticas e comerciais e as incertezas associadas à condução da política econômica nos EUA adicionam riscos ao crescimento, inflação e à condução da política monetária ao redor do mundo.

Apesar dessas incertezas globais, as moedas e preços de ativos de países emergentes têm tido uma performance positiva. De um lado, os investimentos em tecnologia e gastos militares seguem sustentando as bolsas dos desenvolvidos, apesar da volatilidade recente. De outro, a diversificação para fora do dólar eleva preços de ativos como o ouro e demais classes em países emergentes. As incertezas, por ora, não têm sido capazes de gerar aversão ao risco na maior parte dos preços de ativos, o que apoia o crescimento e a baixa inflação globais. Incertezas globais têm tido impacto limitado em ativos de risco 30 de janeiro de 2026.

O cenário doméstico tem evoluído conforme o esperado. O crescimento vem mostrando moderação, com dinâmicas distintas entre consumo e investimentos, a inflação segue em desaceleração e a moeda seguiu bem-comportada, em um ambiente mais favorável para países emergentes. O ciclo de corte de juros se aproxima e vemos um espaço razoável para afrouxamento neste ano, ainda mantendo a Selic em um patamar restritivo.

Investimentos em desaceleração e consumo das famílias resiliente devem ditar o crescimento. Os dois principais fatores para explicar os investimentos, juros e confiança empresarial, continuam em patamares que indicam desaceleração em 2026. Por outro lado, esperamos que o consumo das famílias cresça mais do que o PIB neste ano. O mercado de trabalho é o principal fator para explicar esse resultado, mas também levamos em conta os estímulos já anunciados para 2026, como a desoneração do imposto de renda até R$ 5 mil reais e o reajuste real do salário-mínimo.

O IPCA deve encerrar 2026 em 3,8%. A trajetória de desaceleração é sustentada por desinflação importada da China, menor inércia, safra agrícola positiva e moderação do crescimento, sem contribuição adicional do câmbio no cenário base.

Mantemos nossa expectativa de redução de 3 pontos na Selic, para 12%, mantendo ainda postura restritiva, mas aliviando o aperto máximo

 

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O IPCA-15 registrou alta de 0,18% em outubro

Próximo da nossa projeção (0,17%) e abaixo do consenso de mercado (0,24%).  No acumulado de doze meses, a inflação saiu de 5,32% em setembro para 4,94%.

O preço dos alimentos consumidos no domicílio seguiu em queda, ainda que em menor velocidade do que o observado nos últimos meses.

Em 12 meses, essa categoria acumula alta de 5,5%, 1,1 p.p. menor do que no mês passado. Os bens industriais também tiveram uma leve queda em outubro (-0,02%), com redução dos bens duráveis.

Os bens industriais acumulam alta de 3,4% nos doze meses encerrados em outubro, com a variação trimestral anualizada próxima de 2%.

A apreciação cambial recente está contribuindo para a desaceleração da inflação de bens. A inflação de serviços subiu 0,37% no mês, desacelerando em relação ao resultado de setembro.

Em doze meses, os serviços acumulam alta de 6,0%, próximo do verificado em setembro. Nos últimos três meses, serviços subiram 5,4%. A média dos núcleos saiu de 5,1% em setembro para 4,9%.

O núcleo com melhor poder preditivo para a inflação acumulou alta de 4,7% em doze meses e 4,0% na variação trimestral anualizada.

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Os efeitos da política monetária começam se manifestar

Passados doze meses do início do aperto de juros, começamos a enxergar os efeitos da alta da Selic, que devem se intensificar nos próximos meses.

Com isso, estimamos que o PIB do terceiro trimestre tenha ficado praticamente estável em relação ao segundo, assim, revisamos levemente para baixo nossa projeção de crescimento do PIB em 2025, de 2,1% para 2,0%, e mantivemos a expectativa em 1,4% para 2026.

A política monetária combinada à apreciação cambial tem contribuído para reduzir a inflação.

Projetamos I PCA encerrando 2025 com alta de 4,5%, no limite superior da meta. Para 2026, a desaceleração da atividade vai contribuir para moderar a inflação de serviços e ainda devemos observar algum efeito do câmbio mais apreciado sobre os preços de bens industriais.

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O foco doméstico estará na divulgação da ata do Copom e do Relatório de Política Monetária

O mercado buscará entender os fatores que levaram à manutenção da projeção de inflação em relação à reunião anterior — informações que podem oferecer pistas relevantes sobre os próximos passos da política monetária.

Na quinta-feira, o IBGE publicará o IPCA-15 de setembro, cujo núcleo de inflação deve apresentar leve moderação, rodando pouco abaixo de 4,5% na variação trimestral anualizada.

Após semanas mais movimentadas, a agenda internacional será mais tranquila.

Nos Estados Unidos, haverá a divulgação final do PIB do segundo trimestre, além dos dados do PCE e da prévia da balança comercial de agosto.

Também serão conhecidos os números preliminares dos PMIs, que tendem a ter maior relevância para o Reino Unido e a Zona do Euro do que para a economia americana.

 

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Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15,00% ao ano.

Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa Selic em 15,00% ao ano, em linha com as expectativas.

O comunicado teve poucas alterações. O Copom avalia que o cenário externo permanece adverso, o que demanda maior cautela por parte dos bancos centrais de economias emergentes.

No âmbito doméstico, a atividade continua se comportando conforme projetado, com moderação no crescimento, embora o mercado de trabalho siga apresentando dinamismo.

A projeção de inflação foi mantida em 3,4% no horizonte relevante para a política monetária (1T27) e o balanço de riscos permaneceu inalterado.

Desde a última reunião do Banco Central, houve queda nas expectativas de inflação, no preço do petróleo e na taxa de câmbio — fatores que tenderiam a reduzir a projeção do modelo.

Isso sugere que o BC pode ter ajustado parâmetros como o hiato do produto ou a taxa neutra de juros.

Essas eventuais mudanças de parâmetros podem ser detalhadas no Relatório de Política Monetária, previsto para divulgação na próxima semana.

O balanço de riscos foi mantido inalterado, refletindo um ambiente ainda mais incerto que o usual, com riscos relevantes em ambas as direções.

 

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Receita Federal arrecada bilhões com cobrança amigável

A Receita Federal conseguiu arrecadar até julho deste ano R$ 87,5 bilhões com medidas de “cobrança amigável”.

Elas buscam estimular a conformidade tributária sem gerar autuações fiscais ou litígio para empresas ou pessoas físicas.

Trata-se de uma forma de evitar a inscrição na dívida ativa dos contribuintes e, ao mesmo tempo, de antecipar a arrecadação para a União.