Revista Al Shop nº 231 - page 73

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Houve muitas tentativas de estabilizar a sistema, mas tudo
estava em ruínas e levou mais tempo que o previsto para
chegar onde a economia se encontra hoje. Foi uma crise global,
particularmente entre os EUA e a Europa. Os presidentes de
bancos centrais de vários países, principalmente os da Europa,
Inglaterra e Japão, ofereceram ajuda e todos se encontravam
frequentemente para discutir o assunto.
Otimista sobre o crescimento da economia durante os últimos
cinco anos, Bernanke mencionou a geração de novos empregos
no setor do varejo devido à adaptação tecnológica pela qual
passa atualmente. Depois que sete anos se passaram, a crise de
2008 é vista por Bernanke como um aspecto que serviu para
elevar a economia do país ao alto nível que se encontra agora.
Quando Sadove perguntou a Bernanke sobre sua dinâmica
de trabalho e colaborações com outros membros do Fed,
Ben declarou que “dependendo de suas personalidades e
experiências, todo mundo tem estilos diferentes de liderança.
O meu estilo era conversar com as pessoas e tentar explicar
os meus pontos de vista ao mesmo tempo em que eu ouvia
os delas, assim eu podia estimular o pensamento criativo no
processo de colaboração”.
O ex-presidente do Fed afirmou, ainda, que “se você cativar
as pessoas fazendo com que elas engajem a criatividade delas,
você vai fazê-las sentir que a missão da instituição é delas
também. Elas são responsáveis por realizar essa missão. Tudo
depende de como conseguir ter essas pessoas ao seu lado”.
Apesar dos EUA se encontrarem em uma posição
relativamente confortável, ainda há resquícios de problemas
que não foram resolvidos – e o mercado imobiliário é um
deles. Antes da crise, era fácil obter financiamento para
a compra de imóveis, mas agora chegou ao ponto de que
compradores de imóveis, pela primeira vez, não estão sendo
capazes de obter financiamento. Em um tom humorado, Ben
admite que “até para ele foi negado financiamento”.
Demorou um pouco para acontecer, mas a economia dos EUA
está finalmente melhorando. Segundo Bernanke, “há uma certa
preocupação com o resto do mundo. A economia de muitos
países encontra-se fraca, principalmente a da Europa que está
muito perto da zona inflacionária e tem sido incapaz de tomar
as medidas necessárias para se recuperar de sua dívida”.
De acordo com ele, “os mercados internacionais não estão
fortes no momento. Mercados emergentes como o do Brasil,
da Rússia e da China estão desacelerando e isso é um desafio
para os EUA”. Quanto ao varejo, o especialista afirmou que “o
preço mais baixo da gasolina é uma boa notícia para o setor do
varejo, porque isso faz com que os consumidores tenham mais
capital extra. A recessão teve seu fim há cinco anos e meio e
a economia vem crescendo desde então. Os empregos estão
voltando e tivemos três milhões de empregos em 2014”, disse.
Bernanke ainda acredita que o ano de 2014 foi um bom ano
para os consumidores. “O avanço da economia trouxe muito
mais empregos e mais renda. Os salários e horas de trabalho
estão subindo para que as pessoas tenham mais renda. A
confiança está em alta e o preço da gasolina está baixo. É uma
boa situação para os consumidores”, finalizou.
Crise e engajamento
Economia global
2015
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