Varejistas abrem lojas em periferias e morros

Depois da pacificação dos morros cariocas, diversas lojas tradicionais do comércio brasileiro, como a varejista Casa&Vídeo, já pensam em ocupar os morros que cercam o estado e, assim, seguir os passos do Grupo Pão de Açúcar (GPA), que detém as marcas Casas Bahia e Ponto Frio. Atualmente as redes de lojas da Casas Bahia e Ponto Frio estão presentes em favelas urbanizadas em São Paulo, como as de Paraisópolis e Capão Redondo, e no Rio de Janeiro, como a Cidade de Deus, que hoje já se destacam no faturamento do grupo.

Quem entendeu a realidade foi a rede varejista a Casa & Video, que abriu cinco lojas no Estado do Rio de Janeiro em 2010, e pretende abrir de cinco a dez lojas este ano. A empresa, que vende produtos para o lar, eletrônicos e eletrodomésticos, assim como Casas Bahia, Baú, Ponto Frio, Extra, Magazine Luiza e Ricardo Eletro, entre outras, almeja marcar presença em favelas urbanizadas ainda este ano. “Hoje 80% dos nossos pontos-de-venda estão localizados nas periferias cariocas, e nosso desejo é ter lojas dentro de favelas urbanizadas e contratar pessoas do local para trabalhar conosco”, explicou o diretor Comercial da rede Casa & Vídeo, José Mauro Abrahão.

Para 2011 a varejista carioca quer aumentar em 15% até 2012 o efetivo de 66 lojas que possui até o momento. Segundo o diretor Comercial da empresa, José Mauro Abrahão, atualmente a varejista precisa agregar valor para aumentar as vendas, cujo tíquete médio é de R$ 70. “Queremos continuar marcando presença nos lugares mais populares no Estado do Rio de Janeiro”, explica o porta-voz, a respeito dos planos da rede.

Quem já domina os pontos altos do Rio é o Ponto Frio que possui loja na comunidade Cidade de Deus. Além do Rio a nova Globex tem seu território em São Paulo nas comunidades do Jardim Angela, Paraisópólis e Capão Redondo. Segundo a empresa, o motivo é simples: a iniciativa demonstra o potencial consumidor que existe em Paraisópolis, por exemplo, e a expectativa de crescimento e desenvolvimento da comunidade nos próximos anos. Outro fator que a rede destaca é que os comerciantes de móveis na comunidade sejam mobilizados a inovar sua atuação e a legalizar sua mão de obra assinando suas carteiras e melhorando as condições de trabalho desses trabalhadores, sob pena de verem-nos procurar emprego no concorrente. A Casas Bahia começou a atender este público em 2008.

Com formatos compactos e com atuação no ramo alimentício o Grupo Pão de Açúcar almeja atuar com o Extra em bairros da periferia de São Paulo e já possui pontos-de-venda no formato hiper em São Miguel Paulista e Guaianases. Segundo o vice-presidente Executivo do Grupo Pão de Açúcar, José Roberto Tambasco, a proposta do Extra é reunir várias soluções de compra sob uma mesma marca. “Com o aumento da renda e do emprego, o consumidor ampliou seu poder aquisitivo e está mais exigente tanto no que diz respeito à qualidade como também a facilidade, sortimento e serviços”, declara Tambasco. Segundo Tambasco, as melhorias e novidades são altamente percebidas e ainda mais valorizadas pelos clientes em razão da associação à marca Extra.

“Identificamos que, em alguns casos, como nas classes mais populares, a marca Extra é altamente reconhecida pelos seus diferenciais e chega a ser citada como uma aspiração de consumo”, destaca Tambasco.

Identificar um ponto para comercializar os produtos, treinar vendedores para oferecer uma venda com maior valor agregado é também o plano no varejo de material de construção. Tanto que a rede Dicico, uma das maiores do varejo do segmento, atua com lojas em Parelheiros, Capão Redondo e também em regiões afastadas da capital paulista, como Suzano, Taipas, Pirituba e Mauá. Segundo informa a empresa, o intuito é aproveitar o crescimento das classes C e D, que tem feito os consumidores correrem para as lojas de material de construção com interesse em investir em reformas para as festas de fim de ano e fazer um “puxadinho”, ou seja, um cômodo a mais na casa.