Valorização profissional ajuda a atrair e reter talentos

Nos próximos anos, a petroquímica Braskem vai precisar de mais 2,5 mil profissionais para tocar seus projetos de expansão dentro e fora do Brasil. Isso representa um aumento de 33% no quadro de 7,5 mil colaboradores atuais.

A tarefa de atrair os melhores quadros não está sendo fácil já há alguns anos – para a Braskem e para o mercado como um todo. A atual oferta de profissionais é menor que as necessidades das empresas, e por isso elas investem cada vez mais na valorização do profissional como forma de atração de talentos. “A opção de carreira delas estará mais vinculada aos valores que as organizações têm. Nosso compromisso é desenvolver gente e também fazer parte do processo de criação de profissionais no Brasil”, disse Marcelo Arantes de Carvalho, vice-presidente de Pessoas & Organização da Braskem.

“O Brasil vai crescer mais do que a capacidade de formação de pessoas. Hoje, não são as pessoas que perdem emprego, e sim o emprego é que perde as pessoas”, argumentou. Além da Braskem, Suzano Papel e Celulose e HP estiveram representadas no comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo na última quarta-feira (29/02) e falaram sobre as estratégias para atração e retenção de pessoal.

Embora o investimento em formação de pessoal seja um processo demorado, as empresas participantes concordaram que esse é o caminho que trará melhores resultados em longo prazo. “Temos que desenvolver gente e consolidar o crescimento da organização com a atração de quadros capacitados. Do contrário, acabamos ‘roubando’ pessoal de outras empresas e provocando uma espiral inflacionária no mercado de trabalho”, destaca Carvalho, da Braskem.

Para atrair o público jovem, a Braskem realizou um trabalho junto a 21 universidades brasileiras que formavam alunos com o perfil profissional desejado. Um diálogo com os coordenadores de cursos foi iniciado para apoiar a formação dos estudantes, e o resultado é que 24 mil jovens se inscreveram no programa de estágio da companhia. “Procuramos criar reputação externa para que a Braskem fosse uma das principais escolhas dos jovens. E tivemos um índice de retenção de trainees de 91%, o que é um bom dado”, ressaltou.

Além do público jovem universitário, a Braskem também se prepara para receber mais colaboradores de nível técnico e médio. Para isso, a empresa está formando parcerias com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e escolas de ensino médio para apoiar formação das profissionais na área industrial. “Setenta e cinco por cento do nosso desafio de criar gente referem-se a mão de obra técnica”, enumera. O executivo também disse que um operador leva de oito a 12 anos para aprender a operar em um polo petroquímico.

Capacitar a liderança é outra das prioridades da petroquímica,pois 77% dos profissionais que exercem cargos-chave não possuem substitutos imediatos. “Temos que atrair líderes jovens e maduros,senão o crescimento da organização será comprometido”, disse.

Com metas ambiciosas de crescimento, a Suzano Papel e Celulose decidiu formar e empregar a mão de obra das localidades onde pretende se expandir. Para sustentar a quadruplicação do seu tamanho até 2024,ano do centenário de fundação, a Suzano vai diversificar sua atuação e entrar no mercado de energia renovável. Por meio do aproveitamento da madeira que não é utilizada na produção de papel e celulose,a Suzano quer gerar energia térmica com pouca emissão de carbono.

A Suzano também pretende abrir uma fábrica de papel e celulose no Maranhão. “Vamos contratar 8 mil pessoas nesse ciclo de crescimento”, disse Carlos Alberto Griner, diretor de RH da Suzano Papel e Celulose.

As autoridades consultadas pela Suzano expuseram o desejo de que os trabalhadores locais fossem empregados nos projetos. Para atender ao pedido, a Suzano formou um consórcio para a capacitação de operários com governos municipal e estadual, instituições de ensino, sindicatos patronais e de trabalhadores e empresas de construção civil ligadas ao projeto.