Triangulação faz País fechar 23 mil vagas em calçados

O setor calçadista brasileiro fechou 23 mil vagas no último mês de dezembro. A alta expressiva da redução dos postos de trabalho está relacionada aos efeitos da triangulação (a entrada de produtos cuja procedência verdadeira é diferente da apontada na documentação) de produtos provenientes da Ásia, mas importados pelo Brasil de países como Malásia, Indonésia, Vietnã e Hong Kong.

Segundo o gerente de Produto da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Cristiano Körbes, no mês passado, a indústria calçadista contabilizou 347.176 vagas, redução de 6,2% em comparação com novembro, que havia somado 370.272 empregos diretos. Já no mês de novembro houve redução de cinco mil vagas em relação a outubro. “Para mensurar isso, em novembro de 2009 perdemos 800 postos de trabalho, contra cinco mil em igual período deste ano” contesta Körbes.

As importações registraram no ano passado alta de 23% do quantum (soma de pares de calçados e cabedais e a quantidade em quilos de partes de calçados), somando 46,9 milhões, o que equivale a um montante de US$ 370 milhões. O crescimento das taxas de importação indica que, além do aumento de compras em países não fornecedores, o mercado interno também está recebendo itens como cabedais (parte superior do calçado) e solados. “Estes materiais importados dos países asiáticos são completados com uma simples operação de colagem quando chegam ao Brasil. Esta é uma forma de burlar a tarifa antidumping atualmente imposta sobre os calçados chineses”, explica Körbes.