A reintegração de posse da reitoria da USP (Universidade de São Paulo) terminou por volta das 07h20 desta terça-feira (08/11). Cerca de 70 pessoas foram detidas e estão seguindo para a 91ª DP. Segundo a informação mais recente da PM, eram 46 homens e 24 mulheres. Segundo a PM, funcionários da USP vão realizar uma vistoria para avaliar quais foram os danos ao patrimônio.
Ainda há estudantes ao redor da reitoria aos gritos de “fora PM”. Durante a operação que começou por volta de 05h20, houve momentos de tensão entre policiais e estudantes, mas não houve confronto direto. Segundo a PM, foram mobilizados cerca de 400 policiais para cumprir a reintegração de posse. Até uma estudante com uma garrafa de vinagre foi detida. Os policiais militares pensaram que a garrafa nas mãos da mulher era uma bomba caseira. A identidade da mulher não foi divulgada. Segundo a Maria Yamamoto, coronel da PM, os manifestantes serão conduzidos para uma delegacia. “Não houve resistência; eles foram pegos de surpresa”, afirmou a policial à rádio CBN.
O prazo para os estudantes deixarem o edifício venceu na noite de ontem (07/11), às 23h00. Em assembleia realizada ontem, os estudantes optaram por permanecer no prédio. Havia cerca de 600 estudantes na reunião. Os alunos ocupam o local desde a madrugada da última quarta-feira (02/11), em manifestação contra a presença da Polícia Militar no campus da USP no Butantã e contra processos administrativos envolvendo funcionários da USP.
O debate sobre a presença da PM no campus voltou à pauta na última quinta-feira (27/10), quando policiais abordaram três estudantes que estavam com maconha no estacionamento da faculdade de História e Geografia. A detenção gerou confusão e confronto entre estudantes e policiais, que culminou com a ocupação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e, posteriormente, da reitoria.
A presença dos policiais no campus, defendida pelo reitor, João Grandino Rodas, e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), passou a ser mais frequente e em maior número após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio deste ano. Em setembro, o reitor e o governador assinaram um convênio, autorizado pelo Conselho Gestor do Campus, para regulamentar a atividade da PM na USP.
Os contrários à PM no campus dizem que a medida abre precedente para a polícia impedir manifestações políticas, que comumente ocorrem dentro do campus, e citam o episódio de junho de 2009, quando a Força Tática da PM entrou na universidade para reprimir um protesto estudantil e acabou ferindo os estudantes e jogando bombas dentro de unidades.
Como alternativa à PM, o DCE defende que a segurança do campus não seja militarizada, isto é, que seja de responsabilidade da Guarda do Campus. A entidade defende que haja mais iluminação das vias do campus e que a USP mais seja aberta à comunidade externa, aumentando a circulação de pessoas.
Uma parcela dos alunos, sobretudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e da Escola Politécnica, defende a presença da PM, argumentando que isso aumenta a segurança dos frequentadores do campus.

