Telefônica cresce na telefonia fixa na contramão do setor

Contrariando a tendência internacional de queda de assinantes da telefonia fixa, a Telefônica foi a única empresa dentre as 20 maiores do setor no mundo a registrar aumento do número de clientes em 2010. De acordo com o presidente da multinacional espanhola no Brasil, Antônio Carlos Valente, o resultado foi justamente sustentado por uma combinação de valores, que incluem investimentos em treinamentos, qualidade do atendimento e o foco diferenciado para o potencial consumidor das classes C e D. “Simplificamos o portfólio de banda larga e linhas telefônicas e desenvolvemos canais de vendas específicos para esta faixa da população”, afirmou o executivo em almoço à imprensa ontem em São Paulo.

A nova política comercial inclui a venda porta a porta, com equipes que já incluem mais de mil integrantes. Além disso, a empresa investiu no treinamento das centrais de atendimento visando a resolução das demandas dos clientes em apenas uma ligação, o que reduziu o número de chamadas em 60%. “Vimos que a companhia soube capitalizar uma oportunidade que o mercado oferecia. Além de ser mais barato, o telefone fixo funciona como um indicativo de consolidação familiar e é uma referência quando se vai procurar um emprego”, disse o diretor do segmento residencial da Telefônica, Fábio Bruggioni.

O executivo acrescenta que o resultado é maior se comparado aos concorrentes nacionais do serviço de telefonia, que mesmo atuando em outros estados não tiveram um crescimento equiparado ao do grupo espanhol. “Competimos num mercado que oferece o VoIP [serviço de voz sobre internet] e com as companhias que atuam nacionalmente e ainda assim tivemos um desempenho superior”, declarou ele.

As classes C e D também estão no foco da estratégia de crescimento dos serviços de televisão por assinatura. Hoje a empresa oferece conexão de banda larga de um megabit por segundo (Mbps) por R$ 29,90 mensais a quem assinar um pacote de televisão e uma linha fixa. Segundo o diretor-geral da companhia, Mariano De Beer, a ideia é que 70% dos novos assinantes a serem conquistados em 2011 sejam das classes C e D.

Em 2011, uma das prioridades será a ampliação da base de clientes em televisão por assinatura e banda larga super-veloz, que utiliza a tecnologia fiber to the home (FTTH). Atualmente a rede abrange cerca de 470 mil municípios na Grande São Paulo, Santos e Campinas. A empresa já possui nessa tecnologias 11,5 mil clientes ativos no serviço de fibra banda larga (cujas velocidades variam de 30 a 100 mbps) e/ou fibra TV, que inclui internet superveloz e serviço de televisão por assinatura em parceria com a TVA. “Nosso objetivo nos próximos cinco anos é alcançar um milhão de clientes”, afirmou Valente.

O ano 2010 foi considerado um dos melhores para a multinacional desde que começou a operar no Brasil, há 12 anos. Além do crescimento inédito na telefonia fixa, a empresa aumentou sua base de clientes em banda larga no Estado de São Paulo em 501 mil usuários até setembro. Além desses resultados, outro fator comemorado pela empresa foi a aquisição do controle da Vivo, que consolidou o Grupo Telefônica como líder no setor de comunicações no Brasil.

Somadas, a Telefônica/Telesp SP e Vivo reuniram outubro 73 milhões de clientes e mais de 100 mil funcionários diretos. Em 2009 as empresas atingiram receitas da ordem de R$ 32,1 bilhões e investiram R$ 4, 6 bilhões no País. “Criamos grupos de trabalho para estudar ações conjuntas entre Telefônica e Vivo para oferecer as melhores soluções em produtos e serviços convergentes para beneficiar clientes residenciais e corporativos de todos os portes”, afirmou Antônio Valente.

Em 2010 a Vivo manteve a liderança no mercado de telefonia móvel do País, registrando um crescimento de 30,3% em outubro na base de clientes pós-pagos, em comparação ao mesmo período do ano passado. A operadora manteve o bom desempenho na banda larga 3G. Esse tipo de cobertura já atinge 1047 cidades.