Taxa de administração é vilã dos fundos atrelados aos juros, diz professor

Mais de 956 mil investidores brasileiros mantém seus recursos alocados em fundos atrelados aos juros que, nos últimos 12 meses, tiveram rendimento líquido menor que o da poupança. A constatação é de um estudo realizado pelo professor de economia da FEA/USP, Rafael Paschoarelli, que também é responsável pelo site ComDinheiro.

Segundo ele, dois motivos levam os investidores a fazerem aplicações mal remuneradas: a falta de informação e o comodismo. “Algumas pessoas sequer se dão o trabalho de comparar o rendimento do fundo com a poupança. Outras não sabem, por exemplo, que é preciso tirar o imposto de renda do fundo para poder fazer essa comparação. Esses são fatores que fazem a pessoa investir em modalidades pouco lucrativas”, afirma.

No entanto, ainda de acordo com Paschoarelli, a taxa de administração dos fundos é a maior inimiga de quem opta pelo investimento nessa modalidade. “Taxa de 5%, 4%, 3% ao ano para um fundo atrelado aos juros é totalmente abusivo. Com esse percentual, metade do rendimento do fundo vai embora com a taxa de administração”.

O professor afirma que, embora haja outros fatores que influenciam a rentabilidade, a taxa de administração é o principal. “Não precisa nem entrar no mérito de avaliar a composição da carteira do fundo. É mais simples que isso, é preciso avaliar a taxa de administração. Ninguém deve ficar em um fundo atrelado aos juros que tenha taxa acima de 2%”, aconselha. Paschoarelli ainda completa: “Reavaliar a carteira de tempos em tempos e observar as mudanças do cenário econômico também são atitudes importantes e necessárias, mas analisar a taxa de administração é fundamental”.

Para o especialista, a resolução da questão das altas taxas não cabe a entidades como a CVM (Comissão de Valores Mobiliário). “Para mim é o mercado que precisa se adequar e reduzir os preços. E isso só acontece por meio da competição, da concorrência. Mas para isso é preciso que os investidores rejeitem fundos atrelados aos juros com taxa superior a 2%”. Por fim, Paschoarelli diz que muitas instituições se aproveitam da falta de conhecimento do investidor para justificar a taxa alta e garante que no mercado há bons fundos, com boas taxas e que começam com aportes pequenos, basta saber escolher.