Setor alimentício prevê Natal forte

A indústria e o varejo de alimentos e bebidas preveem vendas aquecidas e sem riscos de desabastecimento de produtos neste final de ano. Os ganhos de renda, puxados pela redução das taxas de desemprego, estão elevando o consumo das classes C e D, gerando crescimentos recordes na comercialização de produtos nos supermercados. Pelo lado da indústria, apesar da retomada da produção a patamares anteriores à crise financeira internacional, o setor afirma estar preparado para atender aos pedidos de final de ano. Com o real valorizado, as importações deverão complementar a demanda varejista neste Natal.

Nas prateleiras dos supermercados bens de consumo como refrigerantes, leite, chocolate, cervejas, molho de tomate, queijos e pizza estão fazendo cada vez mais parte da cesta de compras dos brasileiros. Esse movimento levou o setor a registrar nos oito primeiros meses deste ano a maior taxa de crescimento na quantidade de produtos vendidos ao varejo desde 2005 – com alta de 6,8% sobre o mesmo intervalo de 2009 -, quando a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em conjunto com a Nielsen, passou a monitorar o volume comercializado nos autosserviços. “Nunca se comprou tanto nos supermercados”, diz o presidente da Abras, Sussumu Honda.

O mesmo acontece com o setor de food service (alimentação fora do lar), que deve crescer 15% este ano e faturar R$ 74 bilhões. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), somente no último trimestre, quando as vendas costumam ser mais aquecidas por conta das comemorações do final do ano e do período de férias, o food service deverá avançar entre 16% e 19% sobre o mesmo período de 2009. Para o ano que vem, o incremento das vendas do food service podem ficar na faixa dos 12%, já que a base de comparação é mais forte do que em outros anos e acompanhará as previsões de crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Entre as empresas, a companhia de proteínas Marfrig Alimentos estima que a comercialização de produtos industrializados aumente 50% no final do ano, impulsionada pelas marcas da Nova Seara. As vendas da divisão, segundo a empresa, já começaram a evoluir de “maneira consistente”. A Marfrig atribui o desempenho aos esforços de investimentos em marketing da marca. No segundo trimestre, a companhia teve uma despesa relevante com a exposição da Seara na Copa do Mundo e parte dessas iniciativas deverão ser sentidas nas vendas do final do ano.

Já a BRF (Brasil Foods) está otimista com o crescimento do mercado e espera alta significativa nas vendas da companhia no segundo semestre. “Tradicionalmente o segundo semestre é melhor para nós com os produtos natalinos, mercado em que temos grande participação. A perspectiva é de que teremos um Natal muito bom este ano”, afirma o presidente da companhia, José Antonio Fay.

Embora não faça projeções, a AmBev também vê o final deste ano, que coincide com o verão, como um período de ótimo volume de vendas. “Especificamente para a demanda do período, o principal investimento foi na reativação da fábrica de Petrópolis (RJ), de R$ 40 milhões. Essa fábrica tem capacidade de produzir 100 mil hectolitros de cerveja por ano”, diz o vice-presidente de Relações Corporativas da companhia, Milton Seligman. O aporte faz parte dos R$ 2 bilhões a serem investidos em 2010, recorde na história da companhia.

Igualmente, o segmento de vinhos se anima com o período. A expectativa da Vinícola Perini é de incremento de 25% em suas vendas para o ano ante 2009, sendo 40% somente em espumantes e de 60% em suco de uva. As comercializações feitas no final do ano terão peso significativo para que a empresa alcance esse resultado.