Antigo bairro industrial, também conhecido por abrir os braços para os imigrantes italianos, a Mooca, na zona leste de São Paulo, terá o seu primeiro shopping até o final de 2011. O empreendimento, com 255 lojas e investimentos de R$ 300 milhões, ocupará uma área de 72 mil m² que, por quatro décadas, foi sede da fábrica de caminhões Ford. O centro de compras valorizará o bairro, que já passa por um processo de verticalização, e mudará o perfil da região, que ainda abriga antigos galpões industriais, hoje abandonados.
O terreno destinado ao empreendimento localiza-se na Avenida Henry Ford e teve de ser descontaminado. A limpeza do solo e do lençol freático foi concluída em março e o alvará para a construção foi emitido em agosto pela Secretaria Municipal de Habitação. Quando pronto, o shopping será o 53º da capital e o sétimo da zona leste. As obras já começaram e a previsão de inauguração, segundo a BRMalls, empresa responsável pelo empreendimento, é para o último trimestre de 2011. Os detalhes do projeto ainda não foram divulgados pela BRMalls. As informações iniciais apontam que as 255 lojas, 14 delas megalojas e âncoras, estarão em uma área locável de 42 mil m². O shopping terá 2.250 vagas de estacionamento e modernas salas de cinema.
De acordo com o superintendente da Distrital Mooca da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Júlio César Olivieri, o empreendimento será um ponto de partida para a revitalização daquela área do bairro, onde se concentram muitos galpões industriais abandonados ou subutilizados. Olivieri acredita que no entorno do shopping serão construídos edifícios residenciais e abertos novos estabelecimentos comerciais, assim como aconteceu quando da construção do Shopping Aricanduva, no início da década de 1990. “Por causa dos galpões vazios, essa parte do bairro é a que tem o maior potencial de crescimento na Mooca. O shopping tem tudo para ser um grande sucesso”, afirma. Na opinião do dirigente, o shopping valorizará ainda mais o bairro e contribuirá para atrair novos moradores.
Segundo dados do Sindicato da Habitação (Secovi), o preço do metro quadrado na Mooca cresceu 80% entre 2007 e 2010 e hoje chega a R$ 4 mil perto da estação Bresser-Mooca do Metrô, valor semelhante ao de Pinheiros, na zona oeste. A proximidade com a região central e a comodidade do metrô fez com que 7 mil novos moradores se estabelecessem na área desde 2007. E mais 12 mil são esperados até o final de 2012.
O terreno destinado ao shopping faz parte de uma área de 470 hectares, quatro vezes o tamanho do Parque do Ibirapuera – escolhida pela Prefeitura como base para um projeto piloto de revitalização de áreas urbanas degradadas. Coordenado pela cidade de Stuttgart, na Alemanha, o programa internacional, chamado Integration, pretende aproveitar a bem-sucedida experiência daquela cidade alemã para revitalizar e reocupar a região localizada às margens da linha ferroviária que corta a Mooca. O objetivo é levar prédios, serviços e comércio para terrenos com galpões vazios ou ocupados por famílias de sem-teto.
“Trata-se de uma concessão urbanística dentro da Operação Urbana Mooca-Vila Carioca. Queremos uma reconversão de uso na região, de zona industrial para zona mista, com serviços, classe popular, classe média, escolas e comércio”, explica o arquiteto Lisandro Figueiredo, chefe da assessoria técnica da Operação Urbana. De acordo com ele, o projeto da Operação Urbana deve estar formatado em até um ano.

