Novas ações de empresas internacionais começaram a ser negociadas esta semana na BM&F Bovespa por meio dos BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Assim, já é possível, no Brasil, investir em empresas como Nike, Coca-Cola, Apple, Avon, Google, Mastercard, Microsoft, entre outras. A lista completa você pode conhecer no site da Bovespa, em (http://www.bmfbovespa.com.br/cias-listadas/mercado-internacional/mercado-internacional.aspx?idioma=pt-br).
No entanto, não são todos os investidores que têm acesso a essas ações. Segundo a BM&F Bovespa, apenas investidores qualificados, ou seja, com aplicações financeiras acima de R$ 1 milhão, podem comprar essas ações. A restrição tem seus motivos. De acordo com o diretor da Título Corretora, Márcio Cardoso, o objetivo é proteger os pequenos investidores. “O mercado de capitais brasileiro ainda não é muito conhecido pelo investidor de varejo e há muitos investidores que não sabem exatamente o que estão comprando. Essas pessoas podem ser levadas pela grandeza da marca e achar que estão fazendo um bom negócio, quando na verdade não conhecem a empresa e seus fundamentos. Ou seja, a restrição é para garantir que apenas pessoas que sabem exatamente o que estão fazendo invistam nesses papéis”.
Cardoso afirma que concorda com a restrição que, segundo ele, aos poucos será banida. “É preciso dar um tempo para que o investidor de varejo possa se educar sobre o produto onde ele pretende alocar seus recursos. Mas quando isso acontecer, certamente os papéis estarão disponíveis para todos os investidores. O momento agora é de criar um ambiente com investidores bem informados e conhecedores dos papéis nos quais pretendem investir”.
Ainda segundo o diretor, essa restrição também impede que o pequeno investidor compre papéis dos quais terá dificuldade de se livrar caso não queira mais o investimento. “Os BDRs ainda possuem pouca liquidez. E a Bolsa não pode permitir que a pessoa física entre em um investimento sem liquidez do qual ela poderá ter dificuldades de sair”.
O especialista afirma, por fim, que mesmo sem poder adquirir esses papéis, o pequeno investidor se beneficia da chegada de novos BDRs à bolsa brasileira. “Quando cresce a quantidade de produtos ofertados, o mercado está se desenvolvendo, atraindo mais investidores e isso é bom para todos que têm recursos aplicados no mercado de capitais”, finaliza Cardoso.

