Paes diz que choveu em quatro horas o esperado para 40 dias; uma pessoa morreu no centro do Rio

Um homem morreu e vários bairros ficaram debaixo d água na cidade do Rio de Janeiro, principalmente na zona norte, depois que uma forte chuva que atingiu a cidade na noite desta segunda-feira (25/04) e a madrugada de hoje (26/04). O alerta das sirenes em onze comunidades da Grande Tijuca, na zona norte, que estavam em situação de alto risco, foi suspenso. Mas, durante a manhã, a prefeitura informou que a cidade voltou ao estado de atenção, o segundo estágio de uma escala de quatro, com previsão de chuva fraca a moderada durante o dia.

As comunidades que haviam sido acionadas esta noite foram: Borel, Formiga, Chacrinha, Matinha, Cotia, Encontro, Santa Terezinha, Dona Francisca, morro dos Macacos, morro da Liberdade e Cachoeira Grande. Agentes comunitários orientaram os moradores a deixarem suas casas e a se dirigirem aos pontos de apoio pré-definidos em cada comunidade.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, que passou a madrugada no Centro de Operações da Prefeitura, em apenas quatro horas parte da cidade recebeu o volume de água esperado para um período de 40 dias. De acordo com o Centro de Operações, nas últimas 24 horas choveu 275,8 milímetros, mais do que o previsto para todo o mês de abril. Há um ano, em abril de 2010, tempestades torrenciais paralisaram a cidade por completo por mais de 24 horas.

Na Grande Tijuca, na região de Muda, o pico da chuva, na madrugada, foi o terceiro maior desde a criação do sistema de medição, em 1997. Segundo os dados, choveu quase cem milímetros em uma hora, mais do que o registrado em abril do ano passado. As chuvas provocaram o deslizamento de uma pedra do tamanho de um caminhão, que interditou a autoestrada Grajaú-Jacarepaguá. O bloco de rocha de 300 metros cúbicos atingiu a pista durante a madrugada, mas ninguém se feriu com o acidente.

Equipes da Geo-Rio já foram deslocadas para o local com o objetivo de fazer avaliação geotécnica. Agentes da CET-Rio e da Guarda Municipal orientam os motoristas no local por meio de paineis. A recomendação do Centro de Operações é de que os motoristas evitem a via. Para quem vai para Jacarepaguá, a melhor opção de rota é o Alto da Boa Vista e a Linha Amarela. No sentido Grajaú, a estrada do Pau Ferro e a Linha Amarela.

Segundo informações das autoridades municipais, vários bairros estão alagados. Até o momento, a Defesa Civil registrou outros quatro deslizamentos na cidade (comunidade JK, Borel, Andaraí e Chacrinha), mas nenhum deles tinha vítimas. Os alagamentos bloquearam pelo menos 23 vias.

Com o transbordamento do rio Maracanã, a praça da Bandeira foi inundada e tomada por uma correnteza, que arrastou vários carros. O canal do Mangue também transbordou, inundando da avenida Francisco Bicalho, próximo também à praça da Bandeira. Neste local, conhecido também como Vila Mimosa, um homem foi encontrado morto, possivelmente por afogamento. Ele chegou a ser resgatado pelo Corpo de Bombeiros e foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiu.

O trânsito, que permaneceu interditado na praça da Bandeira e na avenida Francisco Bicalho, já permite o tráfego de veículos, porém com lentidão, por causa de dois ônibus enguiçados na pista sentido centro. A prefeitura do Rio trabalha na remoção de ônibus do local. A avenida Brasil está liberada no sentido zona oeste, mas ainda apresenta bloqueios em função de bolsões de água na altura de Ramos, no sentido centro. Equipes trabalham na drenagem do local. Nas regiões da Tijuca e Maracanã, a chuva causou alagamentos intransitáveis nas ruas Teodoro da Silva, Barão do Bom Retiro, Pereira Nunes, Conde de Bonfim, no Boulevard 28 de Setembro, rua Uruguai, avenida Radial Oeste, Praça da Bandeira e avenida Maracanã.

Alagamentos também foram registrados na região de São Cristóvão. Os pontos intransitáveis foram confirmados na rua São Luís Gonzaga e no Largo da Cancela. Já na região do Santo Cristo, no centro, ficaram inundadas a avenida Francisco Bicalho e a Descida da Linha Vermelha.