Desativada há cinco anos, a área do Mart Center, na Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo, deve voltar a ter um shopping em 2012. No lugar das roupas do antigo empreendimento, os prédios ganharão lojas de produtos eletrônicos e de informática, a maioria filial dos tradicionais comércios da região da Santa Ifigênia. A associação dos comerciantes do bairro central já tem cerca de 250 empresas pré-cadastradas para integrar o projeto de adquirir o imóvel, do grupo Nova Gasômetro, e deve fechar o negócio antes de 31 de janeiro, quando termina o prazo para opção de compra. “Estamos finalizando a negociação da área de estacionamento, de eventos e de dois galpões grandes. Também temos alguns prédios com pré-reserva e devemos concluir até a metade de janeiro”, afirma Paulo Garcia, presidente da Associação dos Comerciantes do Bairro da Santa Ifigênia. Segundo ele, a ideia é juntar interesses para comprar a área e transformá-la num polo comercial e tecnológico. O modelo de negócio não está definido. “Até o final do próximo ano, queremos estar a todo vapor.”
Conforme Paulo, 70% dos interessados são comerciantes da Santa Ifigênia, querendo abrir uma filial. “O projeto da Nova Luz nos deixou inseguros para investir no bairro. Esta é uma alternativa para que a gente tenha outro espaço funcionando se tivermos desapropriações”, comenta o presidente. A área será vendida por R$ 300 milhões e estão sendo negociadas linhas de financiamento com três bancos.
Localizada na Rua Chico Pontes, ao lado do Parque do Trote, a área negociada tem 170 mil m² e abrigou por mais de dez anos o Mart Center, shopping atacadista de moda que recebia clientes de todo o país. “Tinha dia com mais de 30 ônibus aqui. Havia 35 táxis e não vencia”, recorda-se Vicente Lima, 59 anos, um dos três taxistas que restaram no local, torcendo para o novo shopping abrir logo. “Um espaço igual a esse é difícil de encontrar. É muito grande.”
O terreno tem mais de 70 mil m² de área construída, com dois galpões e 14 prédios, onde haverá lojas de equipamentos e serviços, além de praça de alimentação, onde um restaurante continua atendendo trabalhadores da região. “Como havia um shopping no local, já há toda infraestrutura para as lojas começarem a funcionar em 60 dias”, informa o presidente da associação.
O novo empreendimento terá conforto de shopping, mas manterá as características de loja de rua, funcionando como um condomínio. O hotel erguido pouco antes de o Mart Center fechar, no mesmo quarteirão, não faz parte da negociação.