Todos afirmam que ainda é cedo para colocar nomes sobre a mesa, mas cresce a avaliação na equipe de transição do novo governo de Dilma Rousseff e dentro do próprio Banco Central (BC) de que “seria positivo” se o indicado para a presidência da instituição, Alexandre Tombini, levasse pelo menos um nome forte do mercado financeiro para a diretoria a partir de 2011. A indicação levaria a “visão de mercado” à instituição.
Atualmente, a diretoria do BC tem sete cadeiras. Seis são ocupadas por nomes da própria autoridade monetária ou vindos do governo federal, inclusive a importante diretoria de Política Econômica, sob responsabilidade de Carlos Hamilton Araújo, engenheiro que trabalha desde 2000 no BC. O sétimo posto é a não menos relevante diretoria de Política Monetária, ocupada por Aldo Luiz Mendes, do Banco do Brasil.
Quando houve a formação desse time ao longo do último ano, muitos analistas torceram o nariz para as escolhas ao se depararem com diversos técnicos desconhecidos do mercado, como os ex-diretores Mário Mesquita e Mário Torós, que deixaram os cargos e foram substituídos, respectivamente, por Carlos Hamilton e Aldo Mendes. Mas, como a gestão de Henrique Meirelles já se encaminhava para o último ano, o perfil “técnico e da casa” foi absorvido sem grandes implicações.
Agora, a equipe de transição cita que seria “positivo” se Tombini tivesse ao lado um nome reconhecido pelo mercado. Ao agregar um diretor com esse perfil, seria alterada a característica observada ao longo do último ano, quando a diretoria passou a ter nomes exclusivamente vindos do BC, do governo ou de estatais.
Não que o entendimento seja de que os atuais diretores sejam despreparados para os cargos. Muito pelo contrário, já que uma das peças chave desse relacionamento “mercado x BC”, que é Carlos Hamilton Araújo, tem surpreendido positivamente muitos economistas pelo profundo conhecimento dos temas relativos ao BC – assunto ouvido, inclusive, em conversas de economistas em São Paulo e Rio de Janeiro. Economistas também elogiam Aldo Mendes.
Mas as pessoas que acompanham o tema explicam que um diretor “de mercado” conseguiria, em última instância, entender as preocupações e a forma de pensar e agir dos investidores e gestores. “É diferente de se ter um diretor que conversa com o mercado. Estamos falando de alguém que conversa com o mercado e também entende as aflições de quem está do outro lado do balcão, sabe como é o traquejo dos analistas e, por isso, tem condição de reagir melhor a tudo isso”, explica uma pessoa que acompanha o tema e pede anonimato.
Na diretoria do BC, pelo menos três cadeiras terão de ser ocupadas em breve, já que os diretores de Fiscalização, Alvir Hoffmann, e de Liquidação e Controle de Operações de Crédito Rural, Gustavo Matos do Vale, estão bem próximos à aposentadoria Vale já demonstrou ao presidente Henrique Meirelles o desejo de se afastar do cargo. Mas como é bem próximo a Tombini, pode postergar mais uma vez o seu plano pessoal, para trabalhar junto ao novo presidente, no início da nova gestão.
A própria cadeira de Normas ocupada por Tombini, também passará a ficar vaga em 2011. Pelo perfil técnico, as três diretorias (Fiscalização, Liquidação e Normas) tendem a ter indicações de nomes internos. Mas o BC de Tombini pode promover uma dança de cadeiras para acomodar algum indicado ou mesmo reativar a diretoria de Estudos Especiais, que está vaga. Vale lembrar que Mário Mesquita, por exemplo, ocupou a cadeira de Estudos Especiais por quase um ano antes de ser alçado à diretoria de Política Econômica.
Apesar do debate, a fonte afirma não ter sinais de que Tombini tenha pressa para tocar o tema. Lembra, por exemplo, que Henrique Meirelles dirigiu as duas primeiras reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do governo Lula com toda a diretoria nomeada pelo antecessor, Armínio Fraga. “Os primeiros nomes escolhidos pelo presidente só chegaram à diretoria na terceira reunião do Copom, em março.