Segundo dados do Conselho Mundial de Água (CMA), mais de 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo não dispõem de água potável em estado satisfatório para consumo. E a estimativa das Nações Unidas é ainda mais alarmante, indicando que, até 2025, aproximadamente 2,7 bilhões de indivíduos estarão sem acesso à água, ou seja, 45% da população mundial. Entre as causas, a demanda crescente por usuários, secas, contaminação, desperdício e a dependência de fornecimento único, sem o desenvolvimento de práticas que possibilitem seu melhor aproveitamento.
O varejo de shoppings têm feito a sua parte, criando projetos que incorporam em sua concepção formas de consumo sustentável de recursos naturais. E pelas tarifas cobradas pelos estados, o consumo de água tratada e seu reuso tornaram-se estratégicos para a competitividade do setor.
Por exemplo, nos dez shoppings do grupo Sonae Sierra, espalhados pelos estados de São Paulo e Amazonas, além do Distrito Federal, entre as ações para diminuir o consumo nos shoppings estão mictórios sem água, produzidos com materiais recicláveis como policarbonato e polipropileno, não utilizando mais produtos químicos nem energia; descarga a vácuo; além de descargas econômicas nos sanitários, torneiras temporizadas e com arejadores no boca, peça hidráulica que possibilita a diminuição da vazão de água.
Assim, no Shopping Campo Limpo e no Boavista, ambos em São Paulo, o mecanismo reduziu a vazão em 3,5 vezes em relação ao sistema anterior. Nove, desses dez empreendimentos, são certificados com a ISO 14001, uma conquista pioneira no setor de shoppings no país. Conhecida por ISO Verde, a certificação é o aval de institutos internacionais dado às empresas que adotam rigorosos princípios de gestão ambiental. E além de equipamentos, os centros de compras investem em treinamentos e em campanhas de conscientização, envolvendo lojistas, colaboradores e prestadores de serviços.
Apesar do grande apelo ambiental e da economia proveniente do reuso de água e outras formas racionais de utilização, muitos empreendedores ficam receosos quanto ao investimento necessário. Atualmente, existem empresas com experiência na criação de estratégias e soluções que permitem a shoppings e lojas quase nenhum investimento, sendo todas as medidas tomadas pela detentora do processo, como modificações hidráulicas e civis.
Mesmo sendo um item cada vez mais presente na fase de planejamento dos centros de compras, um problema comum a muitos no momento de sua concepção é a ausência de preparação da rede hidráulica, fundamental para o estabelecimento que almeja um sistema de reutilização de efluentes, pois refazê-lo após a obra já concluída torna-se uma tarefa muito mais difícil.
“Atualmente, a maioria, entre empresários do setor e freqüentadores comuns dos centros de compras, está preocupada em praticar medidas que contribuam para a preservação do meio ambiente. E os shoppings, com o auxílio de seus lojistas, por receberem um número cada vez maior de pessoas, vêm buscando formas de estarem inseridos nesta questão do cuidado com a natureza, sendo o uso responsável da água um dos principais pontos verificados pelos empreendimentos”, destaca o presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Nabil Sahyoun.