No Brasil, iPad é o mais caro do mundo

O iPad vendido no Brasil é o mais caro do mundo, de acordo com levantamento feito pelo Globo em 20 países. Em alguns casos, o valor cobrado aqui é praticamente o dobro do comercializado em locais como Hong Kong, onde há o menor preço. O modelo do tablet com conexão 3G e memória de 64 GB custa R$ 2.599 aqui — e R$ 1.381,94 na ilha asiática. Advogados ressaltam que o produto da norte-americana Apple é assim tão salgado para o bolso dos brasileiros devido à alta carga tributária, com a incidência de seis tributos, e à margem de lucro bruto das redes varejistas.

Segundo projeções feitas por especialistas e fontes do varejo, o iPad 3G com memória de 64 GB (modelo mais vendido em todo o mundo) chega no Brasil por volta de R$ 1 mil. Mas, depois disso, o preço sobe 160%. Primeiro, o tablet ganha aumento de 13%, com frete, seguro, IOF e outras despesas aduaneiras, como armazenamento. Em seguida, outro salto, agora de 87%, com a incidência de imposto de importação, ICMS, IPI e PIS/Cofins. E ainda há mais: o varejo eleva em outros 22% o preço do tablet para o consumidor final.

Bruno Carramaschi, do escritório Lobo & de Rizzo Advogados, e Cristiano Frederico Ruschmann, do escritório Dias Carneiro Advogados, ressaltam que a tributação no Brasil é única, pois um imposto é calculado sobre o outro. “Há uma excessiva carga tributária no país. São seis tributos. E o cálculo é feito em cascata, o que sai caro para o consumidor. O que sobra para o mercado brasileiro é a margem de 22% do varejo. O resto é de impostos e contribuições. E esse cenário só vai se alterar quando houver redução da carga tributária”, diz Carramaschi.

O cenário, porém, é bem diferente de México e países da Europa, onde há incidência apenas de um imposto similar ao ICMS. Nesses casos, o tributo encarece o tablet entre 13,79% e 18,70%. No Reino Unido e em Portugal, por exemplo, dois dos locais mais caros no continente europeu para comprar um iPad, o VAT é de 14,89% e 18,70%, respectivamente. No México, país mais barato da América Latina, o tributo é de 13,79%. Nos EUA, a cobrança é ainda menor: de 6,54%, em Miami, e de 8,15%, em Nova York, por exemplo.

No Brasil, assim como em boa parte dos 43 países onde está disponível, há seis modelos de iPad à venda. Entre os que se conectam apenas à rede Wi-Fi (sem fio), há aparelhos com três tamanhos de memória: 16GB, 32GB e 64GB. Além disso, com as mesmas variações de memória, há a versão que permite, além de Wi-Fi, acessar a internet através da rede 3G das operadoras.

Segundo relatório do Barclays Capital, o iPad deve ganhar uma nova versão entre março e abril. A Apple, no entanto, ainda não comenta sobre esta nova máquina. O Barclays estima que devam ser vendidos ao redor do mundo cerca de 23 milhões de iPads neste ano, o que significaria cerca de 60% do total de tablets que devem ser comercializados. Na carona da Apple, empresas como HP, Dell, RIM (que produz o BlackBerry), Motorola, Toshiba, Acer, Asus, Microsoft e Google prometem lançar seus modelos. Até outubro do ano passado, segundo a Apple, haviam sido comercializados 7,5 milhões de unidades.

Em todos os modelos do iPad, o Brasil também ostenta os maiores preços. O modelo 3G, com memória de 16GB, sai a R$ 2.049, após os tributos e a margem do varejo. Antes disso, o produto chega no Brasil por volta de R$ 800. Em segundo lugar no “ranking” dos mais caros, aparece a vizinha Argentina, onde o mesmo tablet custa R$ 1.790,10, seguido da África do Sul, a R$ 1.765,41.

É por essas e outras, diz uma fonte do varejo, que o iPad, lançado oficialmente no Brasil no início de dezembro, não tem apresentado boas vendas. Por enquanto, completa a fonte, os estoques continuam cheios. “O iPad demorou para chegar no país. Quando veio, quem queria comprar já tinha adquirido no exterior. Além disso, o preço no país é muito alto. E não adianta falar que a margem de 22% é alta, pois, no setor, outros fabricantes oferecem até 32% de margem”, diz a fonte.