Lojista que fez reféns no Itaim queria reativar contrato

O lojista Pedro Jorge Saraiva, 41, que invadiu a loja Planet Girls, no Itaim Bibi, São Paulo, no início da tarde desta quarta (29/06), fez reféns e depois se matou, não se conformava com a quebra do contrato de representação comercial e estava disposto a renegociar com a rede para retomar o negócio.

Saraiva, que trabalhava como representante comercial da marca na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais, havia nove anos, perdeu o contrato em 2009. Pouco tempo depois, sua loja faliu e a família se endividou, segundo Adriana Saraiva, sua mulher e sócia no negócio.

Nesta quarta, Saraiva informou à família que voltaria à loja para tentar conversar com o gerente comercial da loja. “A empresa nunca deu um argumento para a quebra de contrato. Ele era uma pessoa calma, mas não se conformava em perder o negócio que durante tanto tempo investiu”, disse a mulher à reportagem. Na versão dos funcionários da rede, porém, às 12h30 quando chegou ao local, o lojista não quis conversar e ameaçou atirar.

Segundo Adriana Saraiva, o marido já havia sido agredido por seguranças da rede em 2009 ao tentar, em vão, fazer as compras de Natal para sua loja e manter o contrato ativo.

Nos dois anos sem poder exercer a representação, Saraiva abriu uma pequena oficina de conserto de eletrônicos na zona leste de São Paulo, mas o faturamento do estabelecimento não era suficiente para manter o padrão de vida da família, segundo a viúva.

Pai de dois filhos, uma adolescente de 14 e um menino de 10, Saraiva chegou ao local por volta das 12h30 armado com dois revólveres calibre 38, um deles registrado em seu nome. Cerca de 40 minutos depois, segundo a polícia, abraçado a uma refém, o lojista não quis negociar e disparou contra o próprio queixo.

Segundo a advogada da Planet Girls, Viviane Ferraz, no momento da ação 15 pessoas foram feitas reféns. Amanhã um grupo de psicólogos deve iniciar um tratamento junto aos funcionários, em estado de choque. No local, que também funciona como sede administrativa da grife, trabalham 60 pessoas.

Segundo o delegado titular do 15º Distrito Policial, Paul Verduraz, toda a ação do lojista foi registrada pelas câmeras. Apenas na sala onde morreu não havia circuito interno de televisão. O caso será investigado no próprio distrito.