Interiorização das redes fast-food no País ainda está para acontecer, diz pesquisa

O movimento de interiorização das redes fast-food no País ainda está para acontecer. Ao menos é isso o que aponta o estudo “A Estratégia de Interiorização das Cadeias de Fast Food no Brasil”, que analisa a entrada da indústria de fast-food no mercado nacional.

Segundo o levantamento, realizado pelo professor do Insper, Rodrigo Moita, e pelo empresário Alexandre Guerra, a atuação das redes se dá em apenas 4% dos municípios do Brasil. Ou seja, das 5.561 cidades brasileiras, a ocupação de grandes marcas como Bobs, Habibs, Giraffas, McDonalds e Subway ocorrem em apenas 183. O estudo considerou o movimento das cinco maiores empresas do segmento de fast-food já mencionadas, que juntas foram responsáveis pelo faturamento de R$ 5 bilhões em 2.247 pontos de vendas no ano de 2009.

De acordo com a pesquisa, enquanto as grandes marcas se concentram nos centros urbanos com mais de 500 mil habitantes, nas cidades menores remanescem apenas os pequenos comerciantes. “Das 234 cidades entre 100 mil e 500 mil habitantes, 99 municípios ainda não possuem restaurantes dessas redes. Já em relação às cidades com menos de 100 mil habitantes, das 5.290 registradas, apenas 13 possuem um restaurante das empresas em questão”, informa o estudo.

Apesar dos resultados apontarem uma certa incerteza quanto à lucratividade potencial do mercado em questão, a pesquisa demonstra que a implantação de uma marca dependerá principalmente de variáveis demográficas de demanda, da concorrência local e do custo de transporte das matérias-primas. “Dadas todas essas variáveis, não é óbvio, ou é custoso, constatar se uma franquia de uma destas redes é um empreendimento viável ou não”, diz Moita.

A análise revela ainda que a decisão de uma empresa de investir em um município nacional pode ser um bom sinal. De acordo com o estudo, tal atitude pode influenciar positivamente outras companhias. “A descoberta de um novo mercado promissor conduz as empresas à uma corrida. Na medida que elas entram na nova cidade, a competição aumenta”, diz o estudo.

Para Moita, as cadeias de fast-food ainda não atuam em todos os mercados possíveis. “Existem cidades com bom potencial que ainda não foram desbravadas. Isso explica a rápida interiorização destas redes”, diz.