Infectologista vê risco de futura pandemia de gripe aviária

A gripe que já matou mais de 140 pessoas só na Indonésia ainda não acabou. Em livro, o infectologista Stefan Cunha destaca que é alto o risco de a chamada gripe aviária voltar a assombrar e se transformar em pandemia global. “Apesar de a imprensa não estar dando atenção, todos os anos aparecem pessoas doentes. O vírus pode sofrer uma mutação, aumentando a transmissão. Essa é a possibilidade mais temida, uma possível pandemia avassaladora”, alerta Cunha, autor de Pandemias, recém-lançado pela editora Contexto.

O vírus H5N1, que surgiu nas aves, começou a se espalhar entre humanos em 2003, quando uma série de casos foi detectada no sudeste da Ásia. Até hoje, porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) não classificou a doença como pandêmica, o que indica um alto risco de contágio em várias regiões do globo. Isso porque a transmissão direta de homem para homem ainda é rara. Para Cunha, porém, a constante aglomeração de animais em criações deve provocar uma nova mutação do vírus e permitir que a gripe se torne mais contagiosa.

Mutações de vírus da influenza (gripe) têm acontecido mais frequentemente nos últimos anos, afirma o médico, que atua no Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Os novos vírus muitas vezes não são nocivos, mas crescem os riscos de que novos males possam afetar os humanos. A preocupação, diz, advém das mudanças que o homem vem causando no meio ambiente. O desmatamento, avalia, facilita o contato com vírus que surgem em animais selvagens. A construção de represas aumenta a transmissão por meio de mosquitos. A aglomeração de porcos e aves em criações é outra responsável pela multiplicação da influenza.