Indústria ensaia retomada do crescimento

A indústria brasileira começa a retomar o crescimento neste primeiro trimestre do ano e pode chegar a expandir a produção entre 1,5% e 3% em 2012, conforme estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e a Fundação Getulio Vargas (FGV). As entidades estão mais otimistas, apesar de alguns dados, como os divulgados pela CNI na última sexta-feira (24/02), ainda demonstrarem fraqueza no desempenho do setor produtivo no mês de janeiro. As instituições divergem, no entanto, sobre quando será retomado o crescimento. A aposta das duas primeiras é de retomada após o mês de março, enquanto a FGV projeta a inversão do desempenho já neste trimestre.

De acordo com Sondagem Industrial da CNI, para o mês de janeiro a produção manteve a tendência de queda iniciada em setembro de 2011, situando-se em 45 pontos ante 42,6 de dezembro e 45,6 no mesmo mês do ano passado. A utilização da capacidade instalada (UCI) ficou em 69%, abaixo dos 71% registrados em dezembro e dos 72% em igual mês de 2011. Já os estoques, continua a entidade, situaram-se acima do planejado, em 52,7 pontos. No entanto, os empresários mostram-se mais otimistas em fevereiro do que em janeiro. “Os números mostram que a indústria continua tendo problemas, não conseguiu reduzir seus estoques e, por conta disso, continua reduzindo a produção”, avalia o economista da CNI Marcelo Azevedo. Segundo ele, a queda dos estoques só deve ocorrer a partir de março, e mesmo que haja uma retomada da produção, ela não deve atingir o nível considerado normal. Para 2012, a perspectiva da CNI é de aumento de 2,3% no PIB industrial, ante o crescimento de 1,8% de 2011.

Para o Iedi, a perspectiva de crescimento é evidente para o setor produtivo, porém não deverá ocorrer no primeiro trimestre do ano. De acordo com Júlio Gomes de Almeida, diretor executivo da entidade, a aposta era de um número melhor que o reportado pela CNI. “Apesar de não ser um indicador positivo, a indústria está melhor que no último trimestre do ano e a tendência é de que melhore ainda mais com o passar deste ano”, avalia ele, que já ocupou o cargo de secretário de política econômica. “Acredito que o crescimento da indústria possa alcançar os 3% em 2012 e fique nesse patamar limitada pelos problemas estruturais e de competitividade que vem travando o setor produtivo nacional”, afirmou o executivo.

Como reflexo dessa percepção, um dos setores chamados de transversais, ou seja, que atuam no fornecimento de insumos para uma ampla gama de segmentos industriais, o químico aposta no crescimento da demanda. Segundo o presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), 2012 deverá continuar a apresentar crescimento no consumo aparente desses produtos. “Historicamente crescemos 25% a mais que o PIB brasileiro por sermos fornecedores da indústria em geral e nossa perspectiva é de manter o desempenho do ano passado”, disse ele que justificou esse aumento justamente à expectativa de crescimento do setor produtivo brasileiro.

A FGV tem perspectivas mais otimistas para a recuperação da produção industrial e espera a inversão do desempenho já no primeiro trimestre. Com base na Sondagem Industrial da entidade, o economista Aloisio Campelo calcula crescimento acima de 1% para o período. Isto porque, entre outros fatores, os estoques mostraram uma recuperação favorável em relação ao fim de 2011.

Em janeiro, apenas três setores, dentre os 14 avaliados pelo indicador, estavam “superestocados”. São eles o mobiliário, têxtil e farmacêutico, que representam apenas 6% do PIB da indústria. Em dezembro, eram seis os segmentos com sobra de estoque, ou 41% da indústria. “O reaquecimento da demanda interna e medidas de estímulo à indústria, como o aumento do IPI para veículos importados, a redução deste imposto para produtos de linha branca e a desoneração da folha de pagamento contribuíram positivamente para este resultado”, afirma Campelo.