Importados disparam no varejo em janeiro

A facilidade das grandes redes estrangeiras de trazer produtos comprados em grandes lotes por matrizes ou coligadas no exterior, aliada a vantagem cambial para os lojistas, impulsionou em janeiro a presença dos produtos importados nas prateleiras do varejo, especialmente no movimento de recomposição das prateleiras depois das fortes vendas de fim de ano.

O predomínio de produtos asiáticos, como celulares, computadores, laticínios, bebidas, e roupas, entre outros, é visto por Fábio Pina, economista da Fecomercio-SP, como decisivo, dada a desvalorização do dólar ante a moeda nacional na reposição dos estoques do comércio. “As redes procuram mais os produtos de outras nacionalidades, justamente pelo câmbio, que tem sido ótimo para a importação”, comentou. Segundo o especialista, há uma gama de produtos que tende a atrair o gosto do freguês. “Podemos usar como exemplo o vinho, que hoje é bem mais em conta do que há cinco anos. Essa queda do preço de alguns produtos faz com que o consumidor tenha interesse de experimentá-los”, explica.

Na opinião de Roque Pelizzaro Júnior, economista e presidente da Confederação dos Dirigentes Lojistas, o que influencia cada vez mais a entrada de produtos importados nos supermercados, lojas de vestuário e de alimentação são questões que envolvem preço e qualidade. “É uma questão de preço.”

Com isso a balança comercial de janeiro registrou déficit de US$ 1,291 bilhão, o maior valor para o mês da série histórica medida pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (Mdic). Os mais importados foram combustíveis e lubrificantes, alta de 54,7%, bens de consumo, com alta de 15,7%, matérias-primas, com aumento de 5%, e bens de capital, com alta de 4,8%.