Governo Lula teve a maior entrada de dólares da história

O fluxo cambial, entrada e saída de moeda estrangeira do País, encerrou o ano passado com superávit de US$ 24,354 bilhões. O fluxo caiu cerca de 15% em relação aos US$ 28,732 bilhões positivos de 2009. Frente a 2007 a queda foi ainda maior (US$ 87,457 bilhões), contudo comparado a 2008 quando o resultado foi negativo em US$ 983 milhões houve um grande aumento, segundo o Banco Central (BC).

Em 2010, o resultado foi impulsionado pela conta financeira, por onde passam os investimentos estrangeiros diretos e em portfólio, entre outros. Os contratos cambiais junto aos bancos para exportações somaram US$ 176,590 bilhões no ano passado. Superados por contratações para importações acumuladas em US$ 178,240 bilhões. De forma que o saldo de câmbio comercial ficou negativo em US$ 1,650 bilhão no ano.

Houve o ingresso maciço de US$ 378,356 bilhões em recursos externos no câmbio financeiro, que registra aplicações em diversas modalidades, no País. A entrada ficou acima do envio de recursos em pagamento de compromissos externos por entidades brasileiras ou multinacionais, que totalizou US$ 352,351 bilhões. De forma que o saldo dessas modalidades foi liquidamente positivo em US$ 26,004 bilhões, em 2010. O melhor resultado da série histórica do BC, iniciada em 1982.

Os dados do BC mostraram também que a autoridade monetária comprou quase duas vezes mais dólares do que o disponível no mercado de câmbio ao longo de 2010. Por meio dos leilões no mercado à vista, o BC incorporou às reservas US$ 41,417 bilhões no ano passado. Em dezembro, esse número ficou em US$ 2,113 bilhões.

Em 2009, o BC havia incorporado US$ 24,038 bilhões às reservas por meio dos leilões de compra no mercado. Com a diferença entre o fluxo cambial e a intervenção do BC, a posição vendida dos bancos alcançou US$ 16,784 bilhões em 2010. No ano anterior, as instituições tinham posição comprada de US$ 3,391 bilhões.

De acordo com analistas do mercado financeiro o Brasil tem atraído muitos investimentos de fora por causa da boa perspectiva de crescimento econômico e também pela elevada taxa básica de juros, a Selic, que está em 10,75% ao ano e remunera os títulos públicos. “As reservas internacionais não param de crescer, pois o BC não para de comprar dólar para tentar estabilizar o preço frente ao real. Impossível usar reserva para melhorar a cotação do dólar, é como enxugar gelo. O dólar só foi caindo e a reserva aumentando. O que o BC tem comprado é absurdo. O jeito é reduzir a Selic, pois tem muitos investidores querendo investir aqui para elevarem seus lucros”, ponderou o professor das Faculdades Integradas Rio Branco e diretor da Quality Consultoria, Carlos Stempniewski.

A queda frente ao ano passado tem como uma das razões o resultado de dezembro de 2010. O fluxo de câmbio no mês de dezembro de 2010 fechou negativo em US$ 1,910 bilhão. O valor resulta de um saldo comercial positivo em US$ 509 milhões, suplantado por saídas líquidas nas operações de câmbio financeiro, em US$ 2,418 bilhões.

As exportações registraram ingresso de US$ 18,306 bilhões, enquanto a contratação para importações ficou em US$ 17,797 bilhões. Nas operações financeiras, a entrada foi de US$ 53,118 bilhões. Mas as saídas para o exterior somaram US$ 55,536 bilhões, no último mês do ano passado.

A autoridade monetária comprou em dezembro mais dólares do que o disponível no mercado de câmbio, por meio dos leilões no mercado à vista, o BC incorporou às reservas US$ 2,113 bilhões no último mês de 2010.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva terminou com ingresso recorde de dólares. Dados divulgados pelo BC mostram que US$ 202,726 bilhões ingressaram no País entre 2003 e 2010. Nesse período, inclusive, foi registrado o maior fluxo cambial da história do Brasil: entrada de US$ 87,454 bilhões em 2007.