Forma de investir muda de acordo com região do Brasil

A educação financeira não se desenvolveu de forma homogênea pelo Brasil. Quanto mais ao Norte do País, menor o conhecimento sobre finanças pessoais e, consequentemente, sobre investimentos, o que muda a forma de aplicar do brasileiro de acordo com a região, de acordo com o diretor da Expo Money, evento que leva noções de finanças pessoais e investimentos à população, Raymundo Magliano Neto. “Quanto mais se vai para o Norte, menos educação financeira a população tem, então menor é o investimento em ações, percentualmente falando”, disse.

“O motivo mais importante para isso é que a gente tem muito evento em São Paulo e no Rio de Janeiro, a bolsa de valores ainda é a de São Paulo, antes era no Rio de Janeiro, e São Paulo é o centro financeiro da América Latina. Acabou que, desde 1970 até hoje, a maioria das corretoras está aqui e as principais ações para educar os investidores são feitas neste eixo”, explicou ele.

A educação financeira também determina a forma de investir. Quanto mais ao Norte, maior o conservadorismo, de acordo com Magliano Neto. De acordo com ele, em cidades como Porto Alegre e Rio de Janeiro, o público é mais arrojado, ao contrário do que ocorre em Recife. “O governo fez no passado um trabalho grande de falar que poupança era um produto mais seguro. Hoje, guardar dinheiro, para muitos, é sinônimo de poupar. Então, quando começam a guardar dinheiro, as pessoas vão para a poupança”, destacou.

Um levantamento feito com os participantes do evento do ano passado, que passou por 12 cidades, mostrou que, entre os moradores de Vitória e Recife, 5% e 6%, nesta ordem, se consideram arrojados, percentual que sobe para 10% no Rio de Janeiro e Porto Alegre.

De acordo com dados da própria BM&F Bovespa, os investidores de São Paulo são os mais representativos no mercado acionário, com 259,7 mil pessoas, seguidos dos do Rio de Janeiro, com 96,0 mil. Entre os investidores com menos representatividade na bolsa, estão os do Tocantins.

Até pela mudança no perfil dos investidores, a Expo Money muda a forma como leva a feira para as cidades do Brasil. No Nordeste, ela contará este ano com a presença de Luiz Carlos Ewald, o Senhor Dinheiro, que tratará de temas como endividamento, de como guardar dinheiro, porque não adianta falar de investimentos antes de se falar de cuidar do bolso.

De acordo com Magliano Neto, a concentração da educação financeira ainda está no Sudeste do País e o ritmo de mudança neste sentido tem sido lento, apesar da evolução notada desde meados de 2003. “A mudança poderia estar em uma velocidade muito maior, com as corretoras indo para outras cidades, a bolsa indo dar cursos em outras cidades. Mas a educação financeira ainda está muito concentrada e vai demorar um tempo infelizmente para ela se disseminar. Só para você ter uma ideia, há em Fortaleza apenas uma corretora com sede lá. As demais são filiais”.

Magliano disse que acreditava que, com o Nordeste crescendo economicamente, a educação financeira iria se desenvolver mais rápido por lá. No entanto, os players ainda não despertaram para o potencial que existe na região. Ele completou: “Falta vontade de investir no Brasil como um todo. Quando se fala em educação, os projetos são de longo prazo e as instituições brasileiras pensam muito no curto prazo”.