Desde a última quarta-feira (25/01), os supermercados da capital paulista deixaram de oferecer sacolas plásticas gratuitas. Os consumidores que quiserem utilizar as sacolas para carregar as compras têm de que desembolsar R$ 0,19, em média, por unidade de sacola biodegradável, uma das alternativas oferecidas.
Segundo o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), além de um aumento de custo inicial para o consumidor que precisar de sacola plástica, a indústria das sacolas convencionais argumenta que haverá desemprego no setor. “Esperamos que os custos das sacolas alternativas caiam e os trabalhadores da indústria de sacolas convencionais sejam absorvidos na produção das primeiras. Mudanças desse tipo serão mais e mais frequentes e a sociedade tem de conseguir fazer essas transições sem grandes traumas”, afirma a coordenadora executiva do Idec, Lisa Gun.
Segundo Lisa, os consumidores também precisam mudar seus hábitos. “Essas alternativas mais adequadas ambientalmente já deveriam estar maduras a essa altura do campeonato, mesmo do ponto de vista econômico. Claro que leva um tempo para as coisas se rearranjarem, inclusive para o consumidor modificar seus hábitos”, afirma. Vale lembrar que, mesmo com o atual acordo, a substituição das sacolas será gradativa. A estimativa é de que, com a medida, só na capital paulista deixem de ser utilizadas cerca de 650 milhões de sacolas ao mês.
De acordo com o Idec, o uso das sacolas plásticas descartáveis traz diversos impactos ambientais. Além de ocupar espaço nos aterros, sua produção utiliza grande volume de água e energia, gerando resíduos industriais. Difundidas no Brasil a partir do final da década de 1980, as sacolinhas são feitas de polietileno de baixa intensidade (um derivado do petróleo) e sua degradação no ambiente demora, no mínimo, cem anos. Estima-se que 10% de todo o lixo gerado no país seja composto dessas sacolas. Já as feitas com material biodegradável se decompõem em até dois anos, pela ação de microorganismos. Segundo o Instituto, quanto mais fina, mais rápida é a decomposição.
A decisão da retirada das sacolinhas plásticas na cidade de São Paulo é de maio de 2011, quando o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sancionou a lei que proibiria a distribuição de sacolas plásticas em todo o município. Na época o Sindiplast (Sindicato da Indústria de Material Plástico) entrou na Justiça pedindo a revogação da lei, alegando a alta taxa de desemprego que a substituição do uso das sacolas iria proporcionar. Na ocasião, o TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) havia suspendido a lei por tempo indeterminado.
Veja algumas alternativas para substituir as sacolas plásticas:
1. O uso de caixas de papelão é uma boa solução na hora de fazer grandes compras nos supermercados. Separar os itens e colocá-los em caixas facilita o transporte até o carro.
2. Também é possível usar o próprio carrinho de compras para o transporte até o carro. Essa alternativa só não é recomendada no transporte de produtos frágeis;
3. As sacolas feitas de tecido, popularmente conhecidas como ecobags, são retornáveis e podem ser utilizadas em compras pequenas. Existem alternativas cada vez mais compactas, que, dobradas, cabem na bolsa ou na mochila;
4. As sacolas de feira ou mesmo os carrinhos, tão usadas por nossas avós, também se encaixam em alternativas sustentáveis. Quase sempre são feitas de tecido ou de uma plástico mais resistente e também servem no momento de transportar compras pequenas;
5. Nas feiras livres, a nova lei não se aplica, portanto as frutas e verduras poderão continuar sendo embaladas em plásticos, mas se recomenda que os carrinhos de feira sejam utilizados para o transporte das mercadorias.

