Exposição “Círculos da Terra” no Shopping Diamond Mall

A artista plástica e artesã Lilita Noronha expõe mandalas, quadros, paineis, folhas para revestimento de móveis e paredes e objetos para casa e decoração, confeccionadas com fibras de troncos de bananeira, no Piso 3 do Shopping Diamond Mall, até 16 de junho. Uma grande homenagem ao Dia do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho.

A exposição “Círculos da Terra” revela um trabalho único, verdadeiro e sensível como a própria Lilita que há 15 anos resolveu dar uma guinada na sua vida e mudar-se de Belo Horizonte para uma pequena vila no sul de Minas. Foi ali, no meio da natureza, que ela encontrou a inspiração para o novo momento da sua trajetória pessoal. Apaixonada pelas artes, começou a pesquisar as possibilidades da região e encontrou nas fibras dos troncos de bananeira a matéria-prima ideal para às suas criações.

A natureza deu a ela o sustento e a energia de que precisava. As primeiras peças foram folhas rústicas, que aos poucos se tornaram mais e mais finas, ganharam novas texturas, formatos, cores. Na exposição “Círculos da Terra” a artista revela esse amadurecimento, essa intimidade adquirida ao longo dos anos com as expressões da natureza.

As peças são confeccionadas no ateliê Flor de Bananeira, no município de Brazópolis, sul de Minas, região de grande produção de banana, onde Lilita reside atualmente. O trabalho da artista tem um precioso valor ecológico ao reutilizar as fibras que normalmente são queimadas ou jogadas fora. O processo, inteiramente artesanal, é trabalhoso e delicado. Para fazer a folha que serve de base para as outras peças, a artesã precisa cortar o tronco em cubos de cinco centímetros, cozinhá-los por quatro horas, reservar por um dia, depois lavar a massa e finalmente clarear ao sol e colorir a peça.

Lilita explica que a partir de fibras são criadas as lâminas para confecção de telas, mandalas, chapéus, abajures, caixas, papéis para revestimento de paredes, entre outras aplicações. “As diferentes técnicas de tratamento das fibras resultam em lâminas de diversos formatos, texturas, cores e espessuras, que podem ser justapostas ou sobrepostas, ampliando o leque de aplicações artísticas”, diz.

As mandalas e quadros, foco principal do trabalho, são geralmente composições abstratas, geométricas ou informais. A estética naif aparece em algumas peças. Em outras, as lâminas ganham sobreposição de folhas-bebê extraídas dos miolos das bananeiras, galhos e flores, produzindo um efeito singelo. “É impossível produzir duas peças iguais”, diz a artista.

O cuidado com a sustentabilidade está presente em todas as etapas do trabalho. Para dar cor às peças, a artista utiliza pigmentos naturais como urucum, pó de café, beterraba, areia e terra ou respeita as nuances cromáticas das próprias fibras. Para dar suporte às mandalas, reutiliza sucatas de aros de bicicletas, cedidas por moradores da cidade. “A sustentabilidade e o respeito à natureza são os conceitos que norteiam o meu trabalho, visando não só a transformação dos elementos e da matéria, mas principalmente a transformação interna do próprio construtor e do observador da obra. A natureza me dá a matéria-prima e eu agradeço com as minhas criações”, diz a artista.

Em Brazópolis, o atelier Flor de Bananeira é um espaço dedicado à criação e educação artística na comunidade. A artista também tem dado cursos em vários municípios do país, sempre levando a sua mensagem de amor à natureza. Imperdível!