EUA investigam executivos que faliram após crise econômica

A agência federal dos EUA que lida com falhas bancárias, a FDIC, afirmou que 50 ex-diretores e funcionários de instituições financeiras que faliram desde o início da crise estão sendo investigados criminalmente no país. Os nomes dos investigados não foram revelados. O FDIC quer punir os ex-executivos por ações criminosas como fraudes e negligência. Mais de 300 bancos faliram nos EUA desde o início de 2008, mas poucos desses fracassos efetivamente levaram a processos criminais contra os responsáveis até agora.

Em entrevista ao “Wall Street Journal”, Fred Gibson, vice-inspetor geral do FDIC, disse que as investigações estão espalhadas por todo o território dos EUA e atingem instituições em cidades de todos os tamanhos. As poucas ações criminais contra bancos já iniciadas na Justiça incluem uma contra o Integrity Bank, da Geórgia, que foi tomado por reguladores federais em 2008. Em julho último, dois ex-executivos se declararam culpados das acusações de fraude. As outras investigações em curso em geral estão relacionadas a casos de empréstimos fraudulentos e envolvem alvos na vice-presidência e presidência dos bancos.

O FDIC também está tentando acelerar ações civis que tentam recuperar dinheiro perdido devido às decisões dos banqueiros durante a crise. Centenas de cartas foram enviadas a ex-executivos com avisos de potenciais ações civis.

Até agora, apenas duas ações foram oficializadas, contra quatro executivos do IndyMac Bancorp Califórnia) e 11 do Heritage Community Bank (Illinois). Juntas, as ações pedem mais de US$ 320 milhões em danos. Já estão autorizadas ações contra mais de 80 funcionários e diretores de bancos falidos, que somam US$ 2 bilhões, e o FDIC disse que o número continuará a subir. A autorização da agência não significa que o caso irá parar na Justiça. Alguns dos alvos conseguem contornar a ação com acordos fora dos tribunais. O governo americano ainda investiga atualmente instituições por possíveis fraudes contra seguradores federais de hipotecas. Há suspeitas de que os bancos tomaram casas de mutuários de forma ilegal.

O colapso do sistema financeiro de 2008/2009 teve o maior número de falências em quase 20 anos, incluindo a quebra recorde do Washington Mutual, que ocorreu em setembro de 2008. O número de instituições que foram fechadas e tomadas pelo governo chega a 311. Foram 146 só neste ano, o que aprofunda os problemas do país em relação a oferta de crédito.

Não é um fenômeno novo. Nos anos 1980 e 1990, mais de 1,8 mil bancos faliram, e agentes federais processaram cerca de 1.850 ex-executivos apenas entre 1990 e 1995. Mais de mil desses foram parar na cadeia, e o governo coletou US$ 4,5 bilhões em processos.