Estrangeiras movimentam shopping

A mudança de ponto entre lojistas instalados em shoppings sempre aconteceu, mas em alguns momentos a percepção é a de que a movimentação se intensifica. Especialistas analisam que a rotatividade atual não está muito fora do normal, mas que a procura por lojas disponíveis nesses centros de compra está aquecida, impulsionada inclusive pela demanda de marcas internacionais. “Tem a ver com o momento econômico do Brasil”, afirmou Patricia Cicarelli, especializada na intermediação de pontos comerciais.

Nos centros em que atua, a especialista observou que a troca de ponto é motivada especialmente pelo interesse em se instalar em uma área maior ou menor que a contratada inicialmente. Além disso, há o lojista pequeno, que não tem como arcar com os custos do shopping. “Sobrevive mais quem está em uma rede, porque ela consegue negociar melhor com o shopping e com os fornecedores e isso aumenta a margem do lojista.”

O gerente-geral do Shopping Center Norte, em São Paulo, Ricardo Afonso, afirma que o turn over anual médio de lojas varia de 6% a 8% em relação ao total dos pontos. O mais comum, observa, é a saída de lojas franqueadas, por problemas de gestão do negócio. Quando isso acontece, em geral o lojista tenta vender o ponto para recuperar parte do investimento. Essa negociação também envolve o shopping, por incluir condições comerciais da próxima locação e o mix de produtos do centro comercial.

Segundo Afonso, é mais rara a saída dos varejistas que são donos de seu negócio. Há alguns meses, em operação tripartite negociada com a ajuda da administração do Center Norte, a Hering Store se mudou para o ponto antes ocupado pela Deny Sports – para favorecer a exposição dos produtos em loja mais ampla. Esta se deslocou para o espaço da Yachtsman, que deixou o shopping.

Foi um movimento negociado sob consenso, mas as saídas e negociações nem sempre são amistosas. Mas, segundo Afonso, os litígios são raros. “O Center Norte é mais flexível com os contratos”, afirmou. O shopping tem 331 lojas e a lista de espera para entrar é grande, completou. A demanda de marcas internacionais está aquecida há um ano e meio, e se manifesta por meio de consultores representando as empresas. Essa movimentação impulsionou os valor dos aluguéis. No Center Norte eles aumentaram cerca de 16%.

“Não sou contra a indústria de shopping, mas acho que ainda falta uma verdadeira parceria entre os empreendimentos e os lojistas”, afirmou o especialista no assunto e sócio do escritório Cerveira, Dornellas e Advogados Associados, Mario Cerveira Filho. “Os aluguéis estão muito altos. É uma loucura em todo o Brasil, que eu vejo como uma bolha. Se houver algum problema com a economia, o que vai acontecer?”

Ele afirmou que 70% dos lojistas atendidos pelo seu escritório são empresas de portes pequeno ou médio. Há casos, comenta, em que o empreendedor com esse perfil entra no shopping, aproveitando, por exemplo, oportunidades de novos centros de compra e ampliações nos atuais, sem ter lastro em dinheiro para pagar luvas, aluguel, condomínio e fundo de promoção. “Uma parcela que ele não pague faz com que toda a dívida vença antecipadamente. E quando ele não paga, o contrato automaticamente está rescindido”, comentou. E aí está mais um dos motivos de lojas fechadas.