Após um ano de fraco desempenho dos papéis do setor bancário, quando os temores sobre a deterioração das condições econômicas do Brasil, atreladas ao aumento da inflação e das taxas de inadimplência, amedrontaram os investidores, analistas projetam um 2012 melhor para os grandes bancos brasileiros.
No fechamento de 2011, todos os grandes bancos apontaram desvalorização em suas ações. Destaque para Bradesco (BBDC4), com -2,44%, Itaú Unibanco (ITUB4), com -11,25%, Banco do Brasil (BBAS3), com -19% e, Santander (SANB11), com -29,64%. “Apesar da piora do cenário macroeconômico local, acreditamos que a liquidação no setor bancário tem sido exagerada, o que está conduzindo a atraentes avaliações em termos de múltiplos”, pondera a equipe de analistas do Bradesco BBI.
Para o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, a demanda por crédito poderá ajudar o setor no próximo ano. “O cenário de melhora econômica no mercado local, com quase pleno emprego e salário em bom nível, leva a população a buscar aquisições de bens e serviços e, neste ambiente, a demanda por crédito irá crescer bastante”, projeta.
O ambiente para o setor bancário requer atenção. O analista da SLW alerta para os possíveis riscos que o setor corre caso o cenário externo aprofunde o quadro de deterioração. “O único grande problema que poderia ocorrer é um agravamento da crise na Europa com redução de crédito no mercado internacional. Mesmo assim, acredito que o governo ainda tem ferramentas para dar liquidez ao mercado, bastando apenas reduzir o depósito compulsório dos bancos locais”, ressalta Galdi.
Na mesma linha cautelosa está Gustavo Hon, analista da UM Investimentos. Ele lembra que, mesmo com a baixa correlação direta do setor com a situação lá fora, os bancos por aqui serão influenciados pelo arrocho econômico global. “Realmente tivemos um aumento no índice de inadimplência nesse período, mas muito do que vai acontecer dependerá de como os mercados caminharão na Europa no próximo ano”, diz o especialista. “O ano deve começar com a observação dos mercados”, completa.
Mesmo assim, os analistas acreditam que os bancos apresentarão resultados crescentes, em linha com a evolução do mercado de crédito, da bancarização da população brasileira e do comportamento mais estável em relação à inadimplência. Segundo eles, os níveis de inadimplência, que ainda não estão em patamares preocupantes, apesar de registrarem alta, devem ser acompanhados de perto pelo investidor. “(Os níveis) devem ser monitorados, pois se houver aumento nos valores de carteiras de crédito, também haverá crescimento da inadimplência. É uma coisa natural. Deveremos ter crescimento na faixa de 15% ao ano nas carteiras de crédito, mas cada vez mais os bancos irão utilizar ferramentas para selecionar seus clientes ao liberar crédito”, ressalta Pedro Galdi.
Por sua vez, em relação à taxa de juros, o analista da SLW tranquiliza os investidores. “Banco ganha com qualquer cenário! Em um cenário de inflação alta ele ganha com spread bancário e, no caso de inflação baixa, o ganho vem com os juros de financiamentos”.
Os analistas se dividem na recomendação dos papéis dos grandes bancos: compra para quem não tem e manutenção para os que já estão expostos ao papel. “Recomendamos a compra, uma vez que são instituições sólidas e que com certeza irão surfar nesta onda de crescimento da economia local. Lembrando que, lá fora, todos estão olhando o Brasil como um dos poucos países que irão sofrer menos com a crise da Europa”, explica Galdi.
Por fim, fica a dica de Hon, da UM Investimentos. “É o momento de comprar aos poucos, sem exposição alavancada, mas sem deixar de alocar. Não é momento de muita exposição ao setor por conta do cenário externo. O ideal é uma exposição comedida”, afirma.
Em relação aos pequenos e médios bancos, os analistas da corretora do Banco Fator projetam uma cenário de grandes desafios em 2012.

