Especialistas apontam os investimentos mais indicados para cada objetivo da vida

Comprar a casa própria, pagar a faculdade dos filhos, fazer uma festa de formatura. Cada um desses objetivos tem suas peculiaridades e, por isso, os investimentos efetuados pensando neles devem ser analisados de forma diferente, levando em consideração alguns fatores primordiais como o tempo e o valor necessário para a realização do sonho. De acordo com especialistas, o mais importante é que seja feito um bom planejamento financeiro e escolhidos os investimentos que mais se adequam a cada caso, de acordo com a meta estabelecida.

O educador financeiro Reinaldo Domingos, fundador do Instituto Dsop, ressalta a importância de que o investimento esteja sempre atrelado a algum sonho ou objetivo. “Não se pode guardar dinheiro apenas por guardar. É preciso ter uma meta, um sonho a ser alcançado. A partir daí, dependendo de cada sonho, é preciso ver qual o tipo de investimento ideal para a conquista deste objetivo”, aponta.

Para a consultora de finanças pessoais da corretora Prosper, Rita Mundim, uma das melhores opções de investimento visando a compra da casa própria é o Tesouro Direto. Mas, além da aplicação nos títulos públicos, ela também aconselha que a carteira contenha um percentual de renda variável. “Para a compra de um imóvel, eu indico que seja alocado 90% do investimento em letras do tesouro e os outros 10% em ações”, aponta a especialista.

Segundo ela, antes de optar pelos títulos do Tesouro, é preciso fazer algumas avaliações. “No caso da tendência da taxa básica de juro ser de queda, o ideal é investir em títulos pré-fixados, como as LTN (Letras do tesouro nacional). Já em casos de juros mais altos, como estamos vivendo atualmente, a LFT (Letra Financeira do Tesouro) é a melhor opção”, afirma. Ainda de acordo com a consultora, os títulos atrelados à inflação também podem ser uma opção interessante, dependendo de como estiverem os índices de preços.

Para os 10% destinados à renda variável, ela também dá uma dica . “A minha recomendação é que seja montada uma carteira com empresas de utilities (empresas de água, luz, saneamento, etc), que têm o histórico de pagar bons dividendos”, aponta.

Segundo a especialista, antes de escolher a empresa, é importante que seja verificado o histórico de dividend yield (relação entre o dividendo pago por ação e o preço dessa mesma ação), já que quanto maior ele for, maior será o retorno que o acionista recebe na forma de dividendos. “O ideal é que sejam escolhidas companhias com dividend yield superior a 8%. Assim, você ganha com os dividendos e também com a valorização das ações”, afirma.

O educador financeiro Reinaldo Domingos concorda com Rita em relação à escolha dos investimentos para a compra da casa própria, mas faz uma ressalva. “Para os investimentos em ações é importante procurar ajuda especializada”, aponta. Segundo o educador, para operar sozinho, através do home broker, o investidor precisa estar muito bem preparado e entender pelo menos um pouco de análise gráfica e fundamentalista, além de estar sempre acompanhando o mercado. “A chance de perder operando sozinho é muito maior. O ideal é que as transações sejam sempre feitas através da corretora, deixando as decisões de compra e venda para o especialista que acompanha o mercado”, diz.

De acordo com Rita, quem pensa em comprar a casa própria à vista, com recursos do próprio investimento, tem que começar o quanto antes a fazer suas aplicações e poupar o máximo possível mensalmente. “O ideal é conseguir investir de 30% a 40% do salário, para que o tempo seja menor”, afirma Rita.

Assim, dependendo do salário e do valor do imóvel, é possível comprar em até 15 anos. “Se você começar a investir com 18 anos, por exemplo, com pouco mais de 30 anos já poderá comprar seu imóvel. Se começar muito mais tarde, vai acabar conseguindo comprar a casa só depois dos 40 anos, quando a maioria das pessoas já casou”, aponta.