Empresário deve mapear deficiências

Para que os treinamentos tragam bons resultados, micro e pequenos fornecedores devem identificar lacunas existentes na empresa e estabelecer metas para que elas sejam solucionadas, aconselham especialistas.

O meio mais fácil de o empresário mapear problemas é pedir “feedback” dos clientes e da equipe, indica Olavo Henrique Furtado, coordenador de pós-graduação da Trevisan Escola de Negócios. “Uma empresa inteligente não é a composta por vários doutores, mas a que possui profissionais capacitados para analisar a situação da companhia e para sugerir mudanças”, analisa Furtado.

Solicitar “feedbacks” foi a estratégia utilizada por Marina Batista, diretora comercial da Gráfica Niquelândia, em Goiás, para aproveitar o curso de fornecedores oferecido pela Votorantim Cimentos (empresa para a qual fornece serviços) em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi. “Fiz uma pesquisa para identificar as deficiências da empresa e criei um departamento de qualidade para manter as mudanças estruturais indicadas no curso”, diz ela, que afirma ter aumentado o faturamento da empresa em 10% em um ano.

A insatisfação de clientes ou de funcionários é o primeiro sinal de que algo precisa ser modificado, aponta Gustavo Utescher, gerente de processos da FNQ (Fundação Nacional da Qualidade). A fundação (www.fnq.org.br) oferece um programa de qualificação para micro e pequenos fornecedores que desejam mapear deficiências e amadurecer a empresa. “O sucesso de um fornecedor resume-se a uma boa prática de gestão”, analisa.

Entretanto, na opinião de Eliane Borges, coordenadora da cadeira de petróleo e gás do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), não basta o empresário estar pronto para para atrair clientes se não tiver atitude para ir atrás deles. “No início, o fornecedor deve buscar as grandes empresas, mostrar interesse em fazer parte delas e construir uma rede de contatos”, diz. A instituição (www.sebrae.com.br) presta consultoria gratuita e possui ações específicas para fornecedores que queiram ingressar no segmento de petróleo e gás.

Já estabelecido no mercado, Francesco Venosa, 62, dono, há 20 anos, de uma empresa de design que leva o seu sobrenome, recebe clientes por indicação. “A confiança é o meu diferencial”, assinala.

Para as micro e pequenas empresas que fornecem produtos e serviços para o Estado, a FGV Online (Fundação Getulio Vargas; www.fgv.br/fgvonline) elaborou, no ano passado, um treinamento com foco em licitações.

De acordo com João Adolfo Ponchio, criador do curso, as aulas têm duração de dois meses e objetivam preparar os empresários para participar de pregões pela internet. Nos módulos, há demonstrações do uso do sistema e simulações de oferta de preços. “Muitos micro e pequenos fornecedores podem participar de pregões, mas deixam de ganhar dinheiro porque não conhecem o sistema”, avalia o professor.

A assistente administrativa Adriana Junko Ito, 30, participou do curso da FGV para ganhar agilidade ao participar de licitações representando a Pharmedic, fornecedora do setor farmacêutico. “O conteúdo ajudou a entender também como funcionam outras modalidades de pregões públicos, mas poderia abranger sites de compras governamentais de outros Estados”, sugere ela.

Para estar mais adequado à demanda de estudantes, de acordo com Ponchio, o conteúdo do treinamento passa atualmente por reformulação e deve ser oferecido novamente no ano que vem. “A partir de agosto, a instituição vai lançar um curso básico gratuito pela internet sobre comércio eletrônico e licitações”, adianta ele.