Economistas apontam o dilema do governo

Alguns dos mais importantes economistas do País começam a cobrar o governo de Dilma com mais veemência, principalmente em relação às medidas tomadas de combate à inflação e à entrada excessiva de dólares no País.

Em entrevista exclusiva ao DCI, Raul Velloso, um dos maiores especialistas em finanças públicas do Brasil, afirma que a equipe econômica está com um dilema: aumentar os juros para conter a inflação e atrair mais dólares, ou priorizar o câmbio e tolerar uma inflação maior. “Existe um problema concreto no Brasil, ainda não resolvido e que está na raiz de tudo: o fato de que não temos poupança para comprar os dólares que estão entrando em excesso”, afirma o economista.

Ele afirma que a presidente Dilma Rousseff está ganhando tempo com medidas que fazem efeito somente no curto prazo, ou que não fazem qualquer diferença para mudar o cenário cambial ou de inflação. “Se essa enxurrada de dólares permanecer, o BC terá de pensar em outra saída. O grande drama do BC é que tudo que fizer neste momento terá de ir contra um governo muito ativo, como o atual.”

Velloso afirma que a questão fiscal pode tornar a forçar uma revisão das notas brasileiras pelas agências de risco. “Seria uma grande derrota para o País perder o grau de investimento. O fato é que o governo anda pisando em fio desencapado em todos os lados”, afirma. E Velloso não está sozinho em suas críticas à política econômica atual. O ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola, afirmou ontem que “há muitos ruídos na política monetária”, o que prejudica a condução das ações da autoridade monetária. “O Banco Central precisa ter autonomia. Com a equipe econômica precisa ter uma convergência de objetivos, mas, dentro de um regime de metas, quem fala de política monetária é o BC”, disse ele.

Os especialistas também criticaram as medidas macroprudenciais anunciadas pelo Banco Central nos últimos meses. “O governo, ao reagir de forma improvisada para conter a inflação, traz uma preocupação”, disse o ex-ministro da Fazenda e também sócio da Tendências Consultoria Maílson da Nóbrega.