Economia favorável impulsiona processos de fusão no Brasil

Em poucas semanas os consumidores brasileiros puderam acompanhar duas importantes negociações comerciais de grandes players no País: a incorporação da Sadia pela Perdição e a oferta de compra do Carrefour pelo Grupo Pão de Açúcar. Contudo, para entender os motivos que levaram o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a aprovar ontem (13/07) a operação que deu origem à Brasil Foods e dizer não à proposta feita pelo empresário Abílio Diniz é preciso estar por dentro do que são na realidade os processos de fusão.

Hoje, o termo fusão de empresas se refere a nada mais que a união financeira e jurídica de duas companhias. Estas, juntas, passam a operar como um único grande player. “Uma empresa com maior valor de mercado tem mais vantagens ao negociar com fornecedores e obtém melhores condições de empréstimos e financiamentos das instituições de crédito”, informa o professor de finanças do Ibmec, Luiz Filipe Rossi.

Para se ter ideia do quanto este negócio tem se mostrado uma excelente opção aos empresários brasileiros e estrangeiros interessados em ampliar seus negócios, basta observar algumas das transações já realizadas: Banco Itaú e Unibanco (2008), Santander e Real (2008), Brahma-Antarctica (Ambev, 2000), Kolynos-Colgate (1996), entre outras. “O crescimento da economia tem chamado a atenção dos investidores que já observam o Brasil e estão à espera de uma oportunidade para entrar no mercado. Tal fato, no entanto, só ocorre de forma rápida e eficiente nos processos de fusão”, avalia o especialista em estratégias empresariais e também administrador de empresas, Marcos Morita.

Nem sempre as empresas brasileiras são compradas por investidores apenas para assegurar boas oportunidades de negócios. Muitas fusões entre companhias brasileiras, na verdade, ocorrem como uma tentativa de coibir ou dificultar a vinda de investidores estrangeiros. “Uma empresa pode comprar outra para acessar um mercado onde, até então, ela não possuía pleno domínio. Entretanto, não é incomum observar a associação de duas companhias nacionais simplesmente para evitar que concorrentes externos cheguem ao País”, explica Morita.

A incorporação da Sadia pela Perdigão (Brasil Foods) recém-aprovada pelo Cade trará reflexos aos consumidores acostumados às marcas Perdigão e Batavo. Isto porque alguns produtos deverão ser retirados do mercado por um período de até cinco anos – este é o caso do presunto, apresuntado e afiambrado, cortes suínos de festa (lombo, pernil,tender), linguiça e paio. “Após uma rigorosa análise, o Cade tende a suspender temporariamente a venda de determinados produtos para abrir espaço para a concorrência. A ideia, nestes casos, é que os concorrentes aproveitem os prazos para cobrir a demanda do mercado com novos produtos similares que possam se mostrar competitivos no longo prazo”, explica Morita.

Também foi determinada pelo Cade a venda de várias marcas e unidades de negócios da BrFoods com o intuito de manter a concorrência no setor alimentício. Serão vendidas as marcas Rezende, Wilson, Texas, Tekitos, Patitas, Escolha Saudável, Light Ellegant, Fiesta, Freski, Confiança, Doriana e Delicata. Serão comercializadas também outras dez fábricas de alimentos processados, dois abatedouros de suínos, dois abatedouros de aves, quatro fábricas de ração, 12 granjas de matrizes de frangos, dois incubatórios de aves e oito centros de distribuição. Lembrando que a retirada de produtos também trará impactos nas operações internas da empresa, que será obrigada a realocar alguns gerentes e equipes responsáveis pela produção e circulação de certas linhas.

A suspensão aumentará para quatro anos, entretanto, para os salames e cinco para a venda de lasanhas, pizzas congeladas, quibes, almôndegas e frios saudáveis.