Enquanto o mercado projeta uma desaceleração do crescimento da economia brasileira neste ano, o governo aposta na alta do dólar para resolver alguns de seus problemas mais urgentes. Ontem a moeda norte-americana teve alta de quase 3% frente ao real, cotada a R$ 1,78, o maior preço desde julho de 2010. Analistas já começam a projetar o dólar a R$ 1,90 ao fim do ano, o que poderia conter a invasão de importados nos próximos meses, principalmente a partir de 2012, e estimular a produção do setor industrial.
Mas no longo prazo, o governo terá de fazer algumas mudanças estruturais para garantir um crescimento sem inflação. Para o economista-chefe da Banif Corretora, Mauro Schneider, uma taxa de juros real de 4% ao ano não é sustentável. “O governo tem de mexer em tudo que reflete mecanismos de indexação. Por isso ainda não acredito num patamar permanente dos juros reais na faixa de 4% ao ano”, declarou o economista, em entrevista exclusiva ao DCI. Schneider explica que, apesar de o cenário externo estar se deteriorando rapidamente com indícios de uma recessão mundial mais acentuada, a curva dos juros é resistente no Brasil por causa da indexação de preços.
E a situação na Europa ficou ainda mais difícil ontem. Os principais índices do mercado de ações mundial fecharam em queda, e bancos como o francês Société Générale recuaram em meio a temores de que a Grécia possa entrar em default antes de conversas para discutir a crise nesta nação e determinar se ela receberá a próxima parcela de ajuda financeira.
A sensação aumentou com as declarações do economista Nouriel Roubini de que a Grécia deve sair da zona do euro. E a tensão deve continuar hoje, uma vez que a Standard & Poors anunciou no início da noite de ontem que rebaixou o rating da Itália de “A+” para “A” com perspectiva negativa.
Enquanto isso, Portugal planeja iniciar as privatizações na próxima semana. O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho disse que o governo pretende arrecadar 7 bilhões de euros com a privatização de todas as companhias de energia, incluindo a Galp, e com a venda da TAP.

