A queda do valor do dólar nos últimos dois anos, de R$ 2,30 para o patamar de R$ 1,60, fez o endividamento externo das companhias brasileiras diminuir em moeda local. “Mesmo que, na atual crise, o dólar disparasse para R$ 2,32, o endividamento em reais ainda seria 5,4 pontos percentuais menor do que em 2009”, calcula o diretor do Centro de Estudos de Mercados de Capitais (Cemec), Carlos Rocca.
Segundo o levantamento do Cemec, a dívida externa registrada das empresas privadas não-financeiras, em dólar, subiu 32,4% entre março de 2009 e março de 2011, mas a queda da taxa de câmbio no mesmo período, de R$ 2,315 para R$ 1,629, mais do que compensou esse aumento, fazendo com que a dívida externa, em reais, diminuísse 6,9% no período. Esse passe de mágica do câmbio fez a dívida total em reais das empresas recuar 20,1% no período, de R$ 218,79 bilhões para R$ 174,89 bilhões.
O efeito é percebido nos balanços trimestrais das companhias brasileiras que exibiram um endividamento menor em reais no segundo trimestre. E os investidores estão mais interessados nos títulos emitidos por empresas de países emergentes. O giro dos negócios com instrumentos da dívida dos mercados emergentes cresceu 10%, para US$ 1,704 trilhão no segundo trimestre de 2011; em igual período do ano passado, as transações somaram US$ 1,551 trilhão. O volume de negócios com títulos do Brasil somou US$ 172 bilhões, o terceiro de maior movimento.

