Mesmo com a previsão de que a economia brasileira deve diminuir o ritmo de crescimento em 2011, passando dos 7,5% previstos em 2010 para 4,5%, economistas projetam que o governo vai preferir aumentar a exigibilidade de depósitos compulsórios para segurar o crescimento do crédito e a inflação sem ter de aumentar os juros. No último balanço divulgado pelo Banco Central (BC), em setembro deste ano esses depósitos somavam R$ 301,260 bilhões, 62% a mais em relação ao mesmo mês de 2009, quando o saldo estava em R$ 185,979 bilhões.
Com a expectativa e a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetário do Banco Central (Copom), prevista para 7 ou 8 de dezembro, que definirá em quanto ficará a taxa básica de juros (Selic) neste final de ano, economistas acreditam que a política monetária do próximo governo vai apresentar mudanças.
Segundo o vice-presidente da Ordem dos Economistas de São Paulo, Gilson de Lima Garófalo, “não haverá mudanças no cenário econômico ainda este ano. Mas para conter o mercado brasileiro, que está aquecido, e diminuir a Selic para 2% em termos reais, meta do próximo governo, eles terão de acionar alguns instrumentos da política monetária no próximo ano. Dentre as medidas está no aumento dos valores dos compulsórios, assim você diminui as reservas de crédito para empréstimo, o que pode ajudar a frear a economia” .
Segundo o professor Frederico Araújo Turolla, do curso de Administração da ESPM e sócio da Pezco Consultoria, a economia brasileira vive um momento em que todas as taxas estão altas. “O momento é de alta do compulsório e de alta de taxa de juros. Isso pode mudar, mas existe um ruído na política monetária do Brasil. O governo pode modificar a política e diminuir os juros, mas não o faz”, afirma o especialista.
Ainda segundo o professor, este não é o momento ideal para que mudanças ocorram na política monetária, uma vez que os holofotes estão todos virados para a escolha da nova equipe que assumirá a economia brasileira com a entrada de Dilma Rousseff na Presidência em janeiro do ano que vem. “O mais importante neste momento é a política partidária que tem sido vista nos últimos dias”, explicou o professor.
Para o vice-presidente da Ordem dos Economistas, essas medidas farão com que a inflação sofra uma maior pressão, assim como tem ocorrido atualmente. “Não tenho uma bolinha de cristal para dizer o que vai acontecer no próximo amo, mas este ano a inflação tem sido pressionada e no ano que vem é provável que isso continue a acontecer, ainda mais com as propostas da nova presidente, Dilma.”
O especialista também comentou as movimentações em torno da formação da nova equipe econômica e ressaltou que, em sua opinião, o mais importante agora é saber se Dilma manterá no cargo Henrique Meirelles, atual presidente do Banco Central. “A questão agora é se Dilma manterá Meirelles ou não”, disse, e comentou a permanência de Guido Mantega no Ministério da Fazenda. “Existe um sinalizador da permanência do ministro da Fazenda, que demonstrou muita competência frente à crise mundial, em que o Brasil foi o último a entrar e o primeiro a sair desse período que assolou o mundo inteiro.” Para Turolla, existe uma equação que não se fecha, em especial no que diz respeito às divergências das políticas monetárias. “Existe um ruído na política monetária brasileira.”
Ontem (22/11), notícias davam conta de que Meirelles não vai continuar à frente do BC.

