Crise mundial favorece as vendas locais, diz executivo

A crise econômica mundial e as recentes altas do dólar vão frear os ânimos de quem viaja ou faz compras no exterior. Prevista para o fim do ano e começo de 2012, essa freada vai gerar mais dinheiro disponível dentro do país e ele deve ser direcionado, em boa parte, para o consumo.

A avaliação é do administrador de empresas Cleiton Martins, superintendente e gerente comercial do Shopping Santa Úrsula, de Ribeirão Preto, no interior paulista, desde fevereiro último. “A crise deverá ajudar o comércio direcionado principalmente para o consumidor das classes A e B”, diz ele, que trabalha junto ao varejo de Ribeirão Preto há 21 de seus 39 anos de idade. “Aqui no shopping, estamos trabalhando para obter parte desses recursos financeiros no fim de ano, quando ocorre o chamado consumo por impulso”, diz.

Viajar para fazer compras pessoais em países como Argentina, Chile e Estados Unidos também é uma tradição entre consumidores A e B de Ribeirão Preto e região. Pelo menos uma vez por ano, moradores costumam investir até US$ 5 mil cada um, conforme apurado junto a alguns turistas, em produtos comprados diretamente no varejo internacional. Segundo Martins, outro dinheiro circulante que em parte migrará para o comércio é o destinado para a compra de carros importados, que deve ser retido com a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), já que encarece modelos em até 30%.

Conforme ele, a internet também não representa um concorrente preocupante para o varejo físico. “Com exceção da geração Y, nascida com os meios eletrônicos, os portais de vendas na web servem principalmente para pesquisar preços”, diz. “Uma vez checados, o consumidor recorre às lojas físicas”.

O perfil de compras no varejo indica que tradicionalmente 70% dos recursos financeiros são direcionados para vestuário. “Dificilmente se compra roupa pela internet”, comenta.
Em segundo lugar, vêm os eletroeletrônicos. “Usa-se, sim, a internet, mas para checar modelos e preços e, depois, se vai às lojas físicas para ‘colocar as mãos’ e fechar o negócio”.

Martins lembra que o ritmo de consumo segue aquecido principalmente nas classes A (renda pessoal acima de R$ 9 mil) e na B (renda pessoal entre R$ 4 mil e R$ 9 mil). Conforme ele, é comum esses consumidores aplicarem em média 14% da renda em compras para uso pessoal ou de familiares. “Esse consumidor ganha qualidade de vida e longevidade e, assim, mantém-se consumidor”, diz.