As mudanças econômicas verificadas desde o final do ano passado têm ampliado a margem da renda dos brasileiros comprometida com pagamento de financiamentos. E as perspectivas para os próximos meses mostram que esse comprometimento irá se acentuar, contribuindo para uma queda no consumo doméstico.
A observação é da Rosenberg Consultores, que ainda aponta que, no primeiro trimestre deste ano, cerca de 50% da renda do consumidor tem destino certo: pagamento de prestações. “No primeiro trimestre, por exemplo, cerca de 37% da massa salarial foi comprometida com o pagamento de prestações de cartão de crédito e cheque especial, cujos prazos são extremamente curtos”, avaliaram os analistas.
A consequência mais imediata do aumento do comprometimento da renda dos consumidores é o endividamento. No caso das dívidas de cartões de crédito e cheque especial, os analistas avaliam que essas dívidas ilustram muito mais um “descasamento de prazos” do que financiamento para aquisição de bens. “Além disso, por seu caráter mais caro, estas dívidas tendem a ser renegociadas, caso comecem a se estender por prazos mais longos, migrando de categoria de crédito”, afirmam.
Diante desse cenário, os analistas esperam um impacto no consumo, que vinha registrando bons números, devido ao aquecimento do mercado de trabalho, aumento da renda e expansão do crédito. “Mesmo a alta dos juros básicos em 2010 não foi capaz de elevar o custo dos empréstimos na ponta final, o que, contando ainda com o alargamento do prazos, possibilitou um forte aumento do número de concessões de novos empréstimos”.
Agora, a expectativa é a de que o consumo recue, devido ao maior comprometimento da renda. Porém, o mercado de trabalho ainda aquecido pode amenizar o desaquecimento do consumo. Diante disso, a expectativa dos analistas é a de que a economia cresça 1,2% no segundo trimestre, 0,6% no terceiro e apenas 0,2% no último trimestre do ano. “Em termos de comércio varejista, este cenário significa uma redução do ritmo na margem da faixa de 8% anualizado dos últimos meses para algo mais próximo a 6%, ficando ao redor de 5,5% em 2012”.

