Comércio elogia e Indústria reforça críticas sobre manutenção da Selic

Embora já esperada, a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) em manter a taxa Selic em 10,75% ao ano não agradou alguns setores da economia, mas foi elogiado por muitos representantes do Comércio. A indústria foi um dos setores que mais criticou a manutenção da taxa básica de juros. Já os segmentos do varejo afirmaram que a manutenção em nada prejudica as vendas do Natal.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) afirmou, por meio de nota, que a política de juros elevados produz efeitos negativos sobre a atividade produtiva do Brasil. A entidade ressalta que a manutenção da taxa estimula a sobrevalorização do Real, pois estimula a entrada de importados. “O governo precisa criar a efetiva coordenação entre as políticas de gasto público e de juros para que o Brasil possa atingir um equilíbrio econômico compatível com um desenvolvimento sustentado. Caso contrário, mantida a situação atual, perdem todos: a indústria, o trabalhador e o nosso País”, afirmou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

A Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) também criticou a decisão e afirmou que ela tiram a competitividade do País. “A manutenção da elevada taxa de juros soma-se a outros entraves à competitividade do produto nacional frente a seus principais concorrentes internacionais”, afirmou a federação, por meio de nota.

Entidades do comércio, como a Fecomércio-RJ, a ACSP (Associação Comercial de São Paulo) e a CNDL (Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas), por sua vez, elogiaram a decisão do comitê, principalmente porque acreditam que ela não afetará as vendas de Natal. “A decisão do Banco Central vem de encontro com a expectativa do movimento lojista brasileiro, que mantém a projeção de ter, em 2010, o melhor Natal de todos os tempos”, afirma a CNDL.

Para ACSP, o Banco Central mostrou equilíbrio na decisão. “As últimas medidas adotadas, entre elas, aumentar o compulsório bancário, foram inteligentes pois seus efeitos devem ocorrer em 2011, quando o governo deverá equilibrar suas contas enxugando seu custeio e reduzindo as pressões sobre a inflação”, disse o presidente da associação, Alencar Burti.

O presidente da Fecomércio-RJ reforçou que a manutenção da taxa de juro valoriza o papel do consumo no crescimento da economia do país. “Essa decisão condiz com as recentes declarações do governo de promover o óbvio: a poupança pública, o aumento da competitividade das empresas, a redução do gasto público e dos impostos em 2011. Mas é preciso agir de forma eficiente, com menos gastos correntes e mais investimentos”, disse. “Esse resultado veio dentro do que nós já esperávamos. Mexer nos juros agora seria extremamente desnecessário, visto que qualquer pressão inflacionária neste momento poderia ser facilmente controlada dentro de 30 ou 40 dias após as medidas já anunciadas para conter o crédito e reduzir a liquidez pelo Banco Central”, avalia o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro.

Ele não acredita ser necessária qualquer alteração na taxa Selic na próxima reunião do Copom, de janeir. “Já vimos uma desaceleração da economia no terceiro trimestre do ano, o que aponta para um equilíbrio entre oferta e demanda. Se existe necessidade de se reduzir o consumo, que comece pelo governo”, reforça Pellizzaro.

Apenas a Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) criticou a decisão. A entidade afirma que a manutenção foi um erro, uma vez que vários setores da economia estão começando a desacelerar. “Ao manter os juros em 10,75% ao ano, o Banco Central não irá alcançar o controle da inflação como deseja e irá premiar apenas o capital especulativo, além de aumentar a dívida do governo”, afirmou a federação.

A entidade ainda criticou as últimas medidas do BC que elevaram o compulsório dos bancos e o fator de risco para empréstimos a pessoas físicas, reduzindo a oferta de crédito.