O aumento do poder aquisitivo das classes C e D, que ganham até R$ 5,1 mil por mês, ou dez salários mínimos, muda o cenário do varejo supermercadista. Com cartões de crédito e renda garantida no final do mês, esse comprador tem colocado mais produtos de qualidade no carrinho e virou motivo de disputa pelos comerciantes. Estima-se que cerca de 150 mil dos moradores de Ribeirão Preto, no interior paulista, estejam nas classes C e D.
Os gastos mensais em supermercados giram em torno de R$ 500. Significa que essas faixas da população injetam R$ 75 milhões por mês apenas em compras nos hipermercados e demais estabelecimentos do setor.
O montante de R$ 75 milhões leva em conta que cada vez que vai ao supermercado, o morador C e D gasta R$ 100, segundo levantamento feito pelo A Cidade junto a comerciantes do setor. Os R$ 75 milhões excluem os consumidores C e D da região que vêm comprar em Ribeirão Preto. Esse montante financeiro, no entanto, deve chegar a R$ 90 milhões neste ano, porque essa fatia da população cresce o consumo em até 20%, segundo projeção do empresário Aurélio Mialich, diretor da rede de supermercados Mialich.
Diante um cenário tão vigoroso, redes como o Pão de Açúcar acabam de abrir duas lojas das bandeiras Extra e Assaí direcionadas para esse público. Fora a abertura de novas lojas, as redes também investem em melhoria da estrutura para disputar a clientela. “Os supermercados se equipam mais, colocam ar-condicionado, decoram mais e melhoram a qualidade dos serviços”, exemplifica Tiago Albanezi, diretor regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas).
As classes C e D representam metade dos 300 mil moradores de Ribeirão Preto que estão na população economicamente ativa, ou que está apta a trabalhar. No total, a cidade possui 605 mil moradores, segundo o Censo 2010 recém-concluído pelo IBGE. Os demais 150 mil ribeirão-pretanos economicamente ativos se dividem entre as classes A e B (renda mensal de até R$ 20 mil) e na E, que recebe até R$ 1 mil por mês.
O consumidor C e D atrai o varejo supermercadista porque, segundo apurado junto ao setor, além do poder de compra revigorado, esse nicho da população tende a manter em alta o ritmo de consumo. A avaliação é que em 2011 esses moradores podem até comprar menos bens duráveis, mas vão manter o consumo dos supermercados.
Para Tiago Albanezi, diretor regional da Apas, o consumidor que antes levava cinco itens em uma compra, hoje adquire até o dobro. “É um comprador de grande potencial e que deve continuar consumindo”, acredita.Neste ano, esse trabalhador teve reajuste real (acima da inflação), como o caso de comerciários, metalúrgicos e operários da construção, ao contrário de algumas profissões graduadas, que tiveram aumento de salário apenas com base na inflação.

