Ir ao cinema já não tem mais nada de básico, pelo contrário, avança para se tornar uma experiência completa, que vai além de assistir a um filme. Muito é falado sobre o aumento do poder aquisitivo da chamada nova classe média, mas o momento positivo da economia brasileira também cria demandas vindas de clientes AB, que querem serviços diferenciados. Seguindo uma tendência mundial, três dos maiores players brasileiros da área, Cinemark, UCI e Kinoplex, apostam suas fichas nos cinemas de luxo, que se mostraram um sucesso e estarão ainda mais presentes em 2012.
Sofisticação, privacidade, exclusividade e conforto são as palavras que definem a tendência, iniciada em 2008 no Brasil, de criar salas diferenciadas em cinemas, com preços entre R$ 37 e R$ 55 a entrada. O público alvo é o mesmo que prioriza o estacionamento vip nos shoppings ou a classe executiva em viagens de avião: consumidores que preferem pagar mais por um serviço de melhor qualidade.
As salas de luxo são destacadas da área comum e apresentam bombonière exclusiva com cardápio diferenciado, entre itens como pipoca com azeite trufado, cheese cake e espumantes. As poltronas são de couro e reclináveis, com maior espaço entre elas, o que também reduz a quantidade de assentos. Garçons entregam os pedidos dos clientes nas cadeiras, antes da exibição começar. Na divulgação, conceitos como “você merece” e “permita-se viver este momento” são os principais.
No Brasil, a novidade surgiu no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, praça que detém a maior quantidade de salas diferenciadas. O primeiro modelo foi inaugurado pelo Cinemark, que lançou o Bradesco Prime por meio de uma parceria com o banco. Um dos destaques do local é um lounge de espera projetado pelo arquiteto Arthur Casas, com a proposta de oferecer um espaço social, de descontração. Entre as opções da bombonière exclusiva estão uma carta de vinhos, pipoca com azeites aromatizados, petit gateau, mussarela de búfalo temperada e bolinho de aipim com carne seca, que podem substituir o comum lanche na praça de alimentação antes ou após o filme. “Lá fora já existiam modelos de cinema de luxo e então trouxemos o conceito para que os consumidores tenham uma experiência única e diferente, do começo ao fim. Hoje, com a vida agitada, estas salas são uma forma das pessoas se darem um presente e fazerem tudo em um lugar só. É um nicho”, diz Bettina Boklis, Diretora de Marketing do Cinemark, em entrevista ao Mundo do Marketing. “Não brigamos com aluguel de DVD, brigamos com o lazer fora de casa. Nem sempre os consumidores optam pelo filme, mas pela sala. É um conceito vencedor”.
A ideia fez sucesso. Já em 2009, o Cinemark transformou mais duas salas comuns em premium. Segundo Bettina, nos fins de semana a lotação média é de 95%. Para 2012, a rede pretende investir ainda mais no modelo e levá-lo a outras regiões do país. “Vamos inaugurar no segundo semestre salas no Rio de Janeiro e em Recife, no mesmo estilo. Elas serão em shoppings que estão sendo construídos, como no Village Mall, no Rio”, diz Bettina. O novo shopping da Barra da Tijuca tem previsão de inauguração para maio, já com a proposta de sofisticação, reforçada por um projeto arquitetônico que promete ser de alto padrão, aproveitando a vista do entorno.
Outro grande grupo, o Kinoplex inaugurou suas salas platinum em 2010, no Shopping Vila Olímpia, em São Paulo, e no ParkShopping, em Brasília, seguindo o conceito de exclusividade. A rede tem planos para o Rio de Janeiro e pretende construir o modelo até o fim do ano na cidade, em um shopping que não foi revelado pela empresa. Outras regiões do país também podem receber a novidade. “Como as salas são pequenas, o modelo não se restringe ao eixo Rio-São Paulo e Brasília. O custo de produção da Platinum é cerca de 25% maior do que o da convencional e cada uma tem cerca de 50% dos assentos que as comuns têm, mas a taxa de ocupação é sempre acima da média do mercado”, garante Patrícia Cotta, do Kinoplex.

