Câmbio deverá ser a principal referência para economia brasileira em 2012

A economia brasileira terá um 2012 bem díficil pela frente, destaca a Banco Fator Corretora. De acordo com o economista-chefe José Francisco de Lima Gonçalves, o câmbio terá um papel central na economia brasileira, que deverá ser impactada pela desaceleração econômica mundial, com Europa, Estados Unidos e, em menor grau, China preocupando. Assim, o comércio, o risco e o crédito do País deverão ser impactados por tal. “Deveremos ver preços de commodities mais comportados, principalmente se o Federal Reserve adiar um Quantative Easing 3”, destaca Gonçalves.

A taxa de câmbio também é fortemente afetada pelos estímulos da economia norte-americana, que por provocarem uma maior expansão monetária, enfraquecem o dólar. Atualmente a moeda norte-americana se encontra fortalecida, por conta da aversão ao risco elevada. Isso tem seus impactados, como na inflação, por conta do menor preço das commodities postas em dólar e na produção industrial nacional, por conta dos preços baixos no exterior.

Isso é um “estorvo para a produção nacional”, salienta Gonçalves. De acordo com ele, boa parte do potencial de ganho da indústria com o câmbio se perde, caso a moeda chinesa acompanhe a brasileira em sua tendência de queda. “Os efeitos do cenário global são desestimulantes da atividade econômica e terão impacto claro sobre a arrecadação dos impostos”, afirma o economista.

E se há efeitos na atividade econômica e arrecadação de impostos, isso deverá causar impactos na política fiscal para o ano de 2012. “A política fiscal para o ano seguinte é cheia de dúvidas. A desaceleração da atividade, a necessidade da retomada de investimentos e a elevação do salário mínimo apontam para um menor superávit primário”, lembra Gonçalves.

Além disso, o País deverá perder algumas receitas, como com as concessões de serviços públicos, como os aeroportos e se endividar, já que vários governos estaduais foram autorizados a utilizar margem de endividamento. Gonçalves lembra também que governo parece estar acompanhando a atividade econômica com preocupação, e pode vir a reagir caso o cenário piore, como já demonstrou através de seu “pacote de Natal”.

Com isso, o economista projeta que o Copom (Comitê de Política Monetária) deverá continuar a cortar juros em 0,5 pontos percentuais por reunião, pelo menos até a reunião de abril de 2012. “A estratégia adotada pelo governo e pelo Banco Central é uma alteração na combinação de política fiscal e monetária. Ele reduz a taxa de juros real ao mesmo tempo que aponta para uma política fiscal mais contracionista”, afirma Gonçalves.

Nesse sentido, 2012 deverá ser afetado pela expectativa de baixo crescimento na Zona do Euro. O PIB (Produto Interno Bruto) projetado pela Banco Fator Corretora para 2012 é projetado para 3,48%, inferior aos 4,91% projetados por 2013, quando o País deverá apresentar alguma recuperação.

Já a indústria deverá se recuperar lentamente, com o comércio desacelerando um pouco, mas ainda crescendo acima de 5% ao ano. O mercado de trabalho deverá perder um pouco de dinamismo, mas a taxa de desemprego não deverá retornar para acima dos 6% em breve, o que fará com a expansão do crédito seja em torno de 15% ao ano. Para a inflação, o economista projeta inflação de 5,09% para 2012, também por conta da trajetória favorável do mercado de trabalho.