Brasil Maior: desoneração não deve refletir no bolso do consumidor

Anunciado pelo governo na última terça-feira (02/08), o Plano Brasil Maior, que, de acordo com a presidenta Dilma Rousseff, servirá para combater a invasão dos produtos importados no Brasil, pode não ter reflexos no bolso do consumidor. O plano abrange os setores de software, têxtil, de calçados e também o de materiais de construção, com a prorrogação da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ainda não é possível avaliar se as medidas terão impacto positivo no bolso do consumidor. Segundo a assessoria, ainda é cedo para avaliar o resultado para o consumidor final, pois as medidas ainda não foram regulamentadas e implementadas. Por enquanto, as empresas estão aguardando a implantação das medidas, para conhecer o impacto delas na sua estrutura de custos.

Já para o setor têxtil, o consumidor tem sido beneficiado com preços mais estáveis. “O consumidor tem sido beneficiado pelo setor nos últimos 17 anos, com a estabilidade nos preços, porém, é o início de um caminho longo a ser percorrido”, afirma o diretor-superintendente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), Fernando Pimentel.

Da mesma forma que o setor calçadista, Pimentel também acredita ser cedo para definir os impactos do Plano Brasil Maior. “As medidas ainda não estão em vigor, por isso, ainda estamos entendendo a lógica de cobrança. Em alguns setores, as medidas podem ser positivas em outros, negativas, porém, ainda é cedo para determinar o impacto no setor têxtil”.

Para o setor de software, outras medidas, como o incentivo à produção em larga escala, poderiam contribuir para que o consumidor sentisse impactos positivos no bolso. “O maior impacto para o consumidor não vem da desoneração, mas na escala de produção. Quando mais se produz, mais é possível melhorar o preço para o consumidor”, completa o presidente da Abes (Associação Brasileira das Empresas de Software), Gérson Schmitt.

De acordo com ele, as medidas são positivas. “A medida como um todo é positiva, pois é um reconhecimento do governo. Além disso, vai estimular a pesquisa e desenvolvimento. Se o segmento crescer, teremos produtos de melhor qualidade e isso reflete ao consumidor”, explica.

No setor de materiais de construção, ficou decidida a prorrogação da redução do IPI, que passa a vigorar até 31 de dezembro de 2012. Nesse caso, “o consumidor não sentirá uma mudança de imediato, pois a redução de IPI vai se manter”, explica o presidente da Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção), Cláudio Conz.

De acordo com o presidente, se o IPI voltasse a subir em 31 de dezembro deste ano, o consumidor sentiria os impactos, por isso, de acordo com ele, a prorrogação é positiva para o bolso. “Caso o IPI realmente voltasse, o consumidor com certeza sentiria um aumento nos preços entre outubro e dezembro”, completa.

Segundo Conz, o único item que realmente deve ter alta no preço não tem ligação com a redução de IPI. “O consumidor vai perceber que o único item que realmente terá um aumento será o porcelanato importado, que não tem nada a ver com a redução de IPI. Desde o dia 25 de julho, esse item precisa ter uma licença de importação. Com isso, os custos aumentaram e o consumidor pode encontrar esse item mais caro em 30 dias”, explica.

O presidente também afirma que o setor irá pleitear a desoneração na folha de pagamento, assim como os outros setores. “Nos próximos 60 dias, a discussão será em cima dos descontos na folha de pagamento, pois diversos setores vão pleitear isso. Se conseguirmos desonerar, com certeza, poderemos melhorar os preços para o consumidor”, finaliza.