O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o governo defende o câmbio flutuante (taxa do dólar e outras moedas mudando conforme a vontade do mercado), mas não vai permitir que o país seja prejudicado nas suas exportações por causa da queda excessiva do dólar. “Somos partidários do câmbio flutuante, mas não podemos fazer papel de bobos e nos deixar levar pela manipulação cambial”, disse o ministro. Ele participou ontem (13/03) de uma audiência no Senado para falar de economia brasileira e mundial. O governo considera que outros países estão “manipulando” os valores de suas moedas, para tornar suas exportações mais competitivas e vender mais.
Quando o dólar cai, isso é bom para quem viaja ao exterior ou compra produtos importados. Mas é ruim para as empresas brasileiras. As que exportam ficam com os preços mais caros que a concorrência de outros países. Também é negativo para as empresas brasileiras que só vendem internamente, pois o preço dos produtos importados podem ser menores. Isso faz as vendas caírem e provoca demissões. Eventualmente, as empresas podem fechar, causando o que se chama de desindustrialização do país.
Mantega disse que, se não houvesse uma ação do governo, a situação estaria pior. “Se não estivéssemos tomando medidas cambiais nos últimos anos já estaríamos com o dólar a R$ 1,40 ou menos. Se o Brasil estivesse com cambio a R$ 1,40, toda a indústria brasileira já estaria quebrada.”
O governo anunciou na última segunda-feira (12/03) uma medida para tentar reduzir a entrada de dólares no Brasil, ampliando o alcance de um imposto para quem faz empréstimos no exterior, principalmente empresas. O imposto é de 6% sobre o valor emprestado. Vai incidir sobre empréstimos com prazos de até cinco anos. Antes da medida, o prazo era de três anos. Acima de cinco anos, não será cobrado imposto nenhum. Foi a segunda vez em 11 dias que o governo mexeu nessa regra. No dia 1º de março, havia ampliado o prazo de incidência do imposto de dois para três anos, mas a medida não teria surtido o efeito esperado. Por isso foi ampliado o prazo para cinco anos.

