Brasil cresceu 33 pontos na década, mas ainda está “bem abaixo” da média dos países desenvolvidos

Se considerado histórico das médias das notas brasileiras no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), o Brasil teve o terceiro melhor crescimento na década. Houve crescimento de 33 pontos da nota geral, o que dá ao país o terceiro lugar no ranking. Luxemburgo cresceu 38 pontos e o Chile, 37. Os resultados do Pisa 2009 foram divulgados nesta terça-feira (07/12) pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

O maior avanço foi em matemática com 52 pontos, foi de 334 (2000) para 386 (2009). Em leitura, o patamar de 2009 ficou em 412, em 2000 era 396, um aumento de 16 pontos. Na área de ciências, que passou a ser avaliada em 2006, o país saiu de 390 para 405. Para se ter uma ideia, os países top da lista ficaram com 539 em leitura (Coreia), 546 em matemática (Coreia) e 554 em ciências (Finlândia).

Mesmo com resultados considerados bons, pela própria OCDE que organiza a avaliação, o país ainda está no nível 2 nas disciplinas, numa escala que vai de um a seis. Se for feito um ranking com as notas dos países participantes do estudo, integrantes do mundo desenvolvidos mais participantes, o Brasil fica em 53ª posição em leitura, superando Aregentina e Colômbia entre os latino-americanos, 53ª posição entre 65 países em ciências e 57º lugar em matemática.

Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, é preciso ponderar que estamos competindo com países mais ricos e desenvolvidos quando elaboramos essas listas. “Temos um século de atraso (para recuperar)”, afirma. O MEC qualifica a evolução brasileira, um dos destaques do relatório de 2009, como “considerável. Em linhas gerais, a OCDE credita as melhorias ao aumento de investimento e à criação do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação). “(A criação do Ideb) mexeu na educação do Brasil”, afirmou Haddad. Segundo ele quando o Inep divulgou os resultados por escola em 2006, mudou o foco do trabalho. “Colocamos um elemento que estava faltando, o aprendizado”, disse.

As notas brasileiras ainda se encontram “bem abaixo” da média dos países desenvolvidos. No entanto, Haddad comenta que o crescimento dos integrantes da OCDE cresceram muito muito na última década, enquanto o Brasil aumentou em 33 pontos sua média geral. “Estamos em ritmo”, afirmou. “Aquela história de que estaremos distantes do restante do mundo não está se confirmando.” O PDE (Programa de Desenvolvimento das Escolas) estabelece metas de 417 em 2012, 438 (2015), 455 (2018) e 473 (2021). O objetivo de 2021 é atingir a média dos países da OCDE. A “história” a que se refere o ministro é uma crítica às metas de que em 2021 atingiríamos a média do mundo desenvolvido com atraso de 20 anos.

De acordo com a OCDE, na última década, o Brasil “parece ter sido capaz de produzir melhorias mensuráveis no sucesso dos alunos por meio de diferentes áreas de avaliação”. A OCDE cita como exemplo o aumento da relação PIB (Produto Interno Bruto) e investimento em educação, que saiu de 4% em 2000 para “5,2% em 2009” com mais recursos para o pagamento de professores. No começo do mês, o Ministério da Educação divulgou que esse índice era de 5%.

Além do investimento, o órgão diz que repasse direto de dinheiro, via Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), para os “estados mais pobres” “dá a escolas nesses locais recursos comparáveis às dos estados mais ricos”. Segundo a OCDE, educadores do país também citam o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) como peça-chave na melhoria de resultados.