Bolsa espera por um novo ano de recordes

A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa) prevê que 2011 será um novo ano de recordes, depois de contabilizar em 2010 o maior volume financeiro em dólares de sua história até dia 29 de dezembro. O giro no período somou US$ 788 bilhões, de acordo com a consultoria Economatica. O valor supera o recorde anterior, registrado em 2008, quando a BM&F Bovespa movimentou US$ 692 bilhões. Em relação a 2002, quando a movimentação somou US$ 41 bilhões, o mercado de ações brasileiro cresceu 19,2 vezes.

Em reais, ajustados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até 30 de novembro de 2010, o volume financeiro do segmento Bovespa também foi recorde histórico, com R$ 1,4 trilhão, acima do R$ 1,38 trilhão de 2008. Na comparação com 2002, quando o giro da bolsa paulista somou R$ 197 bilhões, o crescimento foi de 7,2 vezes, segundo a Economatica.

O aumento do volume dos negócios com ações no mercado brasileiro veio acompanhado da redução da volatilidade, que deve encerrar 2010 no menor nível dos últimos 29 anos, de acordo com a consultoria Economatica.

A rentabilidade da bolsa este ano, no entanto, deverá fechar no segundo menor patamar do governo de Lula. Até 29 de dezembro, a Bovespa registra ganho de 0,53%, à frente apenas de 2008, quando houve forte queda de 41,2% por causa da crise financeira mundial. Em termos reais, descontado o IPCA até o último dia de novembro – a bolsa apresenta perda de 4,5% em 2010.

A BM&F Bovespa também deve fechar o ano de 2010 com o volume médio diário anual negociado superior ao dos ADRs (os American Depositary Receipts, recibos garantidos por bancos americanos que equivalem a ações e são negociados nas Bolsas daquele país). Nos últimos quatro anos, os ADRs tiveram volume financeiro superior ao do mercado local. Em 2010, o segmento Bovespa, da Bolsa de Valores brasileira, movimentou em media por dia US$ 3,2 bilhões contra US$ 2,96 dos ADRs negociados na Bolsa de Nova York.

Os investidores estrangeiros retiraram R$ 35,319 milhões da BM&F Bovespa na última terça-feira, dia 28. Naquele dia, o Ibovespa fechou em alta de 0,35%, aos 68.040 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,17 bilhões. Em dezembro, até o dia 28, o saldo de capital externo na Bovespa está negativo em R$ 451,671 milhões, com compras de R$ 39,469 bilhões e vendas de R$ 39,921 bilhões. No ano, há um superávit acumulado de R$ 5,840 bilhões em recursos estrangeiros.

O mês de dezembro foi muito decisivo para a saída de recursos estrangeiros da Bolsa de Valores. No dia 21 de dezembro os estrangeiros já haviam retirado da Bolsa mais R$ 53,669 milhões. Naquele pregão, o índice Bovespa fechou em alta de 1,41%, aos 68.214 pontos, estimulado pelo avanço das ações de empresas relacionadas a commodities, espelhando o bom desempenho das bolsas internacionais. O volume foi de R$ 6,9 bilhões. Um dia antes, os estrangeiros retiraram R$ 389,835 milhões da Bolsa de Valores brasileira.

Por outro lado, os investidores estrangeiros aumentaram a posição em ações brasileiras em US$ 1,973 bilhão em novembro. A integralidade desses recursos foi destinada à compra de ações negociadas no Brasil, cujo saldo do mês passado registrou entrada líquida de US$ 1,975 bilhão. Já os recibos de ações brasileiras negociados no exterior (ADRs) amargaram saída líquida de US$ 2 milhões, em novembro. No acumulado de 2010, o investimento estrangeiro em ação registra ingresso líquido de US$ 35,655 bilhões.

Na data, o Banco Central (BC) também havia informado que a posição estrangeira em títulos de renda fixa diminuiu em US$ 269 milhões em novembro. Essa saída ocorreu nos papéis negociados no exterior, que fecharam o mês passado com resultado negativo de US$ 261 milhões.

O BC, porém, afirmou que o saldo de investimento estrangeiro, de US$ 50,448 bilhões de janeiro a novembro em renda fixa negociados no País e em ações, é recorde histórico da série iniciada em 1947. O volume inclui a oferta da Petrobras.