O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avalia que a deterioração atual do cenário internacional causa um impacto sobre a economia brasileira equivalente a um quarto do observado durante a crise de 2008/2009. A análise considera um cenário alternativo e supõe que a nova rodada de turbulências internacionais seja “mais persistente do que a verificada em 2008/2009, porém menos aguda, sem observância de eventos extremos”.
Segundo a ata da última reunião do colegiado, realizada nos dias 30 e 31 de agosto, quando o Copom cortou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, a 12%, esse cenário alternativo levaria a uma desaceleração da atividade econômica doméstica e, “apesar de ocorrer depreciação da taxa de câmbio e de haver redução da taxa básica de juros, a taxa de inflação se posiciona em patamar inferior ao que seria observado caso não fosse considerado o supracitado efeito da crise internacional”.
Em sua avaliação sobre a evolução recente da economia, o Copom destaca a elevada incerteza sobre os rumos da atividade global, com perspectiva pior para países desenvolvidos e moderação na atividade dos emergentes. “Os riscos para a estabilidade financeira global se ampliaram, entre outros, pela possível exposição de bancos internacionais a dívidas soberanas, principalmente na zona do euro. As incertezas foram amplificadas, desde a última reunião do Copom, em parte devido à revisão da classificação de risco da dívida soberana dos Estados Unidos”, diz o BC na ata da reunião.

