O sistema bancário brasileiro deve aumentar o volume de provisões contra crédito de liquidação duvidosa já a partir deste segundo trimestre. Para Luis Rabi, gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, as instituições já alteram as estratégias de negócios como forma de prevenção ao aumento das perdas. “Em um horizonte de seis meses, a inadimplência deve continuar a crescer. Os bancos já se preparam com o aumento das provisões. Isto deve refletir diretamente na rentabilidade”.
As despesas com provisões já registraram altas no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os últimos três meses de 2010. Segundo levantamento feito pela reportagem do DCI, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander tiveram despesas somadas de R$ 12,171 bilhões entre janeiro e março deste ano, contra R$ 10,785 bilhões no último trimestre de 2010, um avanço de 12,85% em três meses.
Dos cinco bancos pesquisados, somente o Bradesco teve queda nas despesas com inadimplência, de R$ 1,606 bilhão para R$ 1,524 bilhão entre o final de 2010 e o início deste ano. Na outra ponta, o Banco do Brasil teve o maior aumento de despesas, ao passar de R$ 2,112 bilhões para R$ 2,631 bilhões.
O saldo das provisões chegou no primeiro trimestre de 2011 a R$ 77,699 bilhões nos cinco maiores bancos do País. O total do sistema financeiro no período foi de R$ 97,122 bilhões, de acordo com o Banco Central. O número apresenta uma estabilidade em relação ao ano passado, enquanto as carteiras de crédito cresceram acima dos 20%. Além de ainda contar com uma alta modesta da inadimplência, as instituições financeiras fazem provisões adicionais ao mínimo exigido pelo Banco Central.

