Ascensão da classe média leva o GPA a lucrar R$ 91 mi

Os gastos com alimentação aumentaram com a ascensão da classe média, o que levou o Grupo Pão de Açúcar (GPA) a lucrar cerca de R$ 91 milhões e crescer mais de 61% no segundo trimestre deste ano, ante igual período do ano passado. O conglomerado formado com a Globex (Casas Bahia, Ponto Frio e Pontocom) teve bons resultados, compondo um cenário que leva à conclusão de que os projetos monopolistas de Abílio Diniz às vezes têm sucesso, a despeito da fusão com o Carrefour.

Para o vice-presidente do GPA, Hugo Bethlem, o motivo que lastreia os resultados “consistentes e crescentes” é a ascensão da classe média, que passou a comer melhor, além de operações do GPA que vêm ao encontro do consumidor emergente, como a oferta de mercadorias mais sofisticadas, e a transformação das bandeiras Sendas e Compre Bem em Extra.

“O consumidor não é mais aquele que só compra em promoção. Ele deixou de consumir produtos (perecíveis) básicos para comprar industrializados. As frutas ganharam maior valor agregado, assim como a área de bazar”, explicou Bethlem. Em suma, os clientes das redes Pão de Açúcar (crescimento de 10%), Extra Hipermercado (24%) e Assaí (7,6%) têm gastado mais. Números notáveis no balanço apontam termômetros importantes, como as quitações à vista, 51,9% do total de vendas e por cartão de crédito, 40,4%. O “GPA Alimentar”, que desconsidera a Globex, faturou R$ 93,2 milhões no último trimestre, crescimento médio de 10%.

Para o professor Gilberto Braga, do Ibmec-Rio, o GPA ganhou bastante musculatura com a “consolidação das operações das Casas Bahia e Ponto Frio”.